|
PROGRAMAÇÃO DA SEMANA CULTURAL
INDÍGENA 2015
07 á 10 de Abril de 2015
|
|
|
Terça-feira
– 07/04
|
|
|
9:00h
|
Abertura
com a presença da Comunidade e do Coral Indígena;
|
|
10:30h
|
Palestra
com Professores e Lideranças da Comunidade Indígena;
Dança
do Fogo;
Exposição
e venda de artesanatos;
|
|
14:00h
|
Teatro do
Mito Indígena do Urutau e Erva Mate;
Rodas
Guaranis de Cantigas Infantis;
Coral
Infantil Guarani;
Roda de
Tererê.
|
|
14:30h
|
Apresentação
de danças típicas;
Marcas
e pinturas típicas Avá Guarani;
Ervas
medicinais;
Degustação
de Chás Medicinais;
Trilha
Ecológica Maino’i Vy’a Rape (Caminho do Beija-Flor Feliz);
Trilha
Ecológica Vy’a Miri (Criança Feliz);
Visita
às salas ambientes, Espaço Cultural Indígena e horta da escola;
Arco e
Flecha;
Exposição
e Venda de Artesanato.
|
|
Quarta-feira
– 08/04
|
|
|
9:00h
|
Teatro
do Mito Indígena do Nhãnderú;
|
|
9:30h
|
Trilha
Ecológica Maino’i Vy’a Rape (Caminho do Beija-Flor Feliz);
Trilha
Ecológica Vy’a Miri (Criança Feliz);
|
|
10:30h
|
Palestra
com Professores e Lideranças da Comunidade Indígena;
Visita
às salas ambientes com pintura facial e visita ao Espaço Cultural Indígena;
Exposição
e Venda de Artesanato.
|
|
14:30h
|
Apresentação
de danças;
Teatro
do Mito Indígena do Urutau;
Rodas
Guaranis de Cantigas Infantis.
|
|
15:30h
|
Arco e
Flecha;
Trilha
Ecológica Maino’i Vy’a Rape (Caminho do Beija-Flor Feliz);
Trilha
Ecológica Vy’a Miri (Criança Feliz);
Visita
às salas ambientes, Espaço Cultural Indígena e horta da escola;
Exposição
e venda de artesanato.
|
|
Quinta-feira
– 09/04
|
|
|
9:00h
|
Teatro
do Mito Indígena da Erva Mate;
Dança
do Fogo
|
|
9:30h
|
Trilha
Ecológica Maino’i Vy’a Rape (Caminho do Beija-Flor Feliz);
Trilha
Ecológica Vy’a Miri (Criança Feliz);
|
|
10:30h
|
Palestra
com as Lideranças Indígenas e Professores;
Visita
às salas ambientes, Espaço Cultural Indígena e horta da escola;
Exposição
e venda de artesanato.
|
|
14:00h
|
Teatro
do Mito Indígena do Urutau;
|
|
14:30h
|
Apresentação
de cantos Guarani e Coral;
|
|
15:30h
|
Arco e
Flecha;
Trilha
Ecológica Maino’i Vy’a Rape (Caminho do Beija-Flor Feliz);
Trilha
Ecológica Vy’a Miri (Criança Feliz);
Visita
às salas ambientes, Espaço Cultural Indígena e horta da escola;
Exposição
e venda de artesanato.
|
|
Sexta-feira
– 10/04
|
|
|
9:00h
|
Teatro
do Mito Indígena da Erva Mate;
|
|
9:30h
|
Trilha
Ecológica Maino’i Vy’a Rape (Caminho do Beija-Flor Feliz);
Trilha
Ecológica Vy’a Miri (Criança Feliz);
|
|
10:30h
|
Palestra
com os Professores e Lideranças Indígena;
Visita
às salas ambientes, Espaço Cultural Indígena e horta da escola;
Exposição
e venda de artesanato.
|
|
14:00h
|
Teatro
do Mito do Homem Velho;
|
|
14:30h
|
Apresentação
da Dança do Fogo;
|
|
15:30h
|
Arco e
Flecha;
Trilha
Ecológica Maino’i Vy’a Rape (Caminho do Beija-Flor Feliz);
Trilha
Ecológica Vy’a Miri (Criança Feliz);
Visita
às salas ambientes, Espaço Cultural Indígena e horta da escola;
Exposição
e venda de artesanato.
|
|
OBS: Entrada R$ 4,00 por pessoa (o dinheiro
arrecadado será revertido em benefício dos alunos do Colégio e do Coral
Indígena)
Serviremos almoço todos os dias com reserva
antecipada no valor de R$ 15,00 por pessoa, agendar pelo email: colegioteko@hotmail.com ou pelo telefone: (45)
8433-8783
Haverá Salgados, Doces e Refrigerantes para
aquisição dos visitantes.
|
|
quarta-feira, 18 de março de 2015
XIV SEMANA CULTURAL INDÍGENA
quinta-feira, 12 de março de 2015
Relações Étnico-Raciais
Recentemente, propomos aqui um estudo sobre as relações étnico-raciais que constituíram o Brasil e tratamos da importância do tema para o Enem, já que o ensino da História da África e da Cultura Afro-Brasileira é obrigatória por lei nos currículos escolares.
Como prometido, trazemos hoje uma questão do Enem 2014 sobre o tema. Leia com atenção e tente resolver. Depois disso, confira a resolução completa do professor Bruno Picchi, formado em Geografia na UNESP.
Fonte: https://www.infoenem.com.br
Como prometido, trazemos hoje uma questão do Enem 2014 sobre o tema. Leia com atenção e tente resolver. Depois disso, confira a resolução completa do professor Bruno Picchi, formado em Geografia na UNESP.
Essa resolução foi retirada das nossas Apostilas Preparatórias para o Enem. O professor Bruno Picchi é responsável pela resolução de todas as questões de geografia do material que contém todos os itens das últimas 6 edições do exame, resolvidas e explicadas com esta mesma perfeição!Enem 2014 – Caderno Amarelo – Questão 1Parecer CNE/CP n° 3/2004, que instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.
Procura-se oferecer uma resposta, entre outras, na área da educação, à demanda da população afrodescendente, no sentido de políticas de ações afirmativas. Propõe a divulgação e a produção de conhecimentos, a formação de atitudes, posturas que eduquem cidadãos orgulhosos de seu pertencimento étnico-racial — descendentes de africanos, povos indígenas, descendentes de europeus, de asiáticos — para interagirem na construção de uma nação democrática, em que todos igualmente tenham seus direitos garantidos.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Disponível em: www.semesp.org.br. Acesso em: 21 nov. 2013 (adaptado).A orientação adotada por esse parecer fundamenta uma política pública e associa o princípio da inclusão social a
a) práticas de valorização identitária.
b) medidas de compensação econômica.
c) dispositivos de liberdade de expressão.
d) estratégias de qualificação profissional.
e) instrumentos de modernização jurídica.
RESOLUÇÃO E COMENTÁRIOSAlternativa A
O parecer CNE/CP n° 3/2004 é um documento que evidencia o caráter político engajado na valorização das identidades do leque étnico-racial que compõem a cultura brasileira de modo lato sensu. Esse fragmento apresenta uma grande diversidade de palavras e trechos que corroboram com a alternativa correta (letra A, “práticas de valorização identitária”), como “políticas de ações afirmativas”, “descendentes de africanos, povos indígenas, descendentes de europeus, de asiáticos” e, principalmente, na parte sobre a formação de atitudes e “posturas que eduquem cidadãos orgulhosos de seu pertencimento étnico-racial”.
De modo geral, essa pergunta trata da valorização de nossas matrizes culturais, com destaque às matrizes europeia, negra e indígena, no processo de reconhecimento e pertencimento dos cidadãos. Também vai no sentido da criação de um respeito e valorização de manifestações étnicas tidas como minoritárias ou historicamente não valorizadas. Um exemplo é o dever por parte dos professores em trabalhar o tema África no ensino básico através de uma normativa do Ministério da Educação.
A alternativa E, “instrumentos de modernização jurídica”, é uma distratora perigosa, que pode induzir o candidato em razão do fragmento da questão ser um parecer do Conselho Nacional de Educação e, principalmente, por tratar de “direitos garantidos” para a “construção de uma nação democrática”. Vale ressaltar que essa alternativa é errada em razão deste parecer ter uma natureza política, e não jurídica.
Posted: 09 Mar 2015 11:35 AM PDT
A Lei 11645 de 2008 “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.
O Enem, a cada ano, tem ajudado a moldar o currículo do Ensino Médio. Estudamos o que é cobrado na prova. Dessa forma, o exame se torna uma oportunidade de conhecer e discutir conteúdos e ideias.
As relações étnico-raciais são uma questão importante a serem trabalhadas em sala de aula e exigidas no Enem. É a partir disso que refletimos sobre ações afirmativas como cotas raciais, representação identitária, convivência e respeito às diferenças culturas, crenças, cultos e tradições.
Para iniciar, vamos entender a diferença dos significados de etnia e raça.
Raça compreende os aspectos morfológicos como estatura física, cor de pele, cabelo etc. Etnia é mais amplo e compreende, além da raça, os aspectos culturais como religião, idioma e tradições.
Devido à riqueza do assunto, separamos algumas leituras importantes que guiarão seu estudo na área. Vamos lá:
O Enem, a cada ano, tem ajudado a moldar o currículo do Ensino Médio. Estudamos o que é cobrado na prova. Dessa forma, o exame se torna uma oportunidade de conhecer e discutir conteúdos e ideias.
As relações étnico-raciais são uma questão importante a serem trabalhadas em sala de aula e exigidas no Enem. É a partir disso que refletimos sobre ações afirmativas como cotas raciais, representação identitária, convivência e respeito às diferenças culturas, crenças, cultos e tradições.
Para iniciar, vamos entender a diferença dos significados de etnia e raça.
Raça compreende os aspectos morfológicos como estatura física, cor de pele, cabelo etc. Etnia é mais amplo e compreende, além da raça, os aspectos culturais como religião, idioma e tradições.
Devido à riqueza do assunto, separamos algumas leituras importantes que guiarão seu estudo na área. Vamos lá:
- No Portal Namu, a psicóloga Vanessa Andrade comenta sobre o projeto Afrobetizar que tem como objetivo a valorização da cultura africana. Confira aqui.
- A secretaria de educação da Bahia traz em sua página explicações, programas, exemplos de ações e materiais de aula sobre o tema.
- Este link da UNESCO trata sobre a discriminação racial no Brasil e contém as principais ações em prol das relações étnico-raciais.
- A Revista Fórum traz nesta matéria um estudo sobre os resultados do sistema de cotas após 10 anos de implementação.
- O Pragmatismo Político traz a opinião de um juiz federal sobre as cotas raciais. Leitura interessantíssima.
- E, por último, trazemos aqui as diretrizes curriculares para a educação das relações étnico-raciais elaboradas pelo próprio Ministério da Educação.
Fonte: https://www.infoenem.com.br
segunda-feira, 9 de março de 2015
Ao ser chamada de feia, menina de 4 anos dá resposta exemplar
A pequena Siahj Chase mostrou a um colega que não é necessário ser rude para reagir a uma ofensa
paisefilhos.com.br
Colaboração:
Professora de Língua Portuguesa Maria Teresa Serabion Graca
domingo, 8 de março de 2015
Filho de casal gay é espancado dentro de escola paulista e entra em coma
de março de 2015 às 14:12
Sugestão: Professora Eliane Boaventura - Arte - CEMAP
Um adolescente de 14 anos foi brutalmente espancado dentro de uma escola pública na Vila Jamil, em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, na manhã da última quinta-feira (5). Segundo informações do delegado que investiga o caso, o adolescente sofria preconceito e foi agredido por ser filho adotivo de um casal gay.
O garoto estuda na unidade de ensino desde os seis anos. Um irmão de 15 anos, que frequenta o mesmo colégio, presenciou a agressão. De acordo com o que os médicos relataram aos familiares, a vítima teve aneurisma cerebral e está em coma induzido. O estado de saúde é grave.
"Eu não sabia que meu filho sofria preconceito por ser filho de um casal homossexual. O delegado que nos informou. Estamos tristes e decidimos divulgar o que aconteceu para que isso não se repita com outras crianças", disse Márcio Nogueira, pai do menino, em entrevista ao R7.
Dois dos agressores estiveram na casa da avó do estudante e se desculparam pelo ocorrido. Os pais da vítima registraram um boletim de ocorrência na Delegacia de Ferraz de Vasconcelos. O pai disse que pretende processar o Estado. "Eu estou pedindo muito que meu filho sobreviva a tudo isso, mas queremos também que a Justiça seja feita."
Fonte:http://www.superpride.com.br/2015/03/filho-de-casal-gay-e-espancado-dentro-de-escola-paulista-e-entra-em-coma.htmlO garoto estuda na unidade de ensino desde os seis anos. Um irmão de 15 anos, que frequenta o mesmo colégio, presenciou a agressão. De acordo com o que os médicos relataram aos familiares, a vítima teve aneurisma cerebral e está em coma induzido. O estado de saúde é grave.
"Eu não sabia que meu filho sofria preconceito por ser filho de um casal homossexual. O delegado que nos informou. Estamos tristes e decidimos divulgar o que aconteceu para que isso não se repita com outras crianças", disse Márcio Nogueira, pai do menino, em entrevista ao R7.
Dois dos agressores estiveram na casa da avó do estudante e se desculparam pelo ocorrido. Os pais da vítima registraram um boletim de ocorrência na Delegacia de Ferraz de Vasconcelos. O pai disse que pretende processar o Estado. "Eu estou pedindo muito que meu filho sobreviva a tudo isso, mas queremos também que a Justiça seja feita."
Sugestão: Professora Eliane Boaventura - Arte - CEMAP
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Fantasias de carnaval podem reproduzir preconceitos contra negros e homossexuais
A irreverência do carnaval em muitos casos pode trazer consigo preconceitos há muito enraizados na cultura brasileira. Fantasias como nêga maluca ou mesmo homens travestidos de mulheres acabam por reforçar o racismo e a homofobia, explica a integrante do coletivo de mulheres negras Pretas Candangas, Daniela Luciana. Segundo ela, isso é bastante comum nos blocos de rua. Ontem, no entanto, acabou ocorrendo também durante o desfile da Mangueira, no Rio de Janeiro, quando, em alguns momentos, integrantes da comissão de frente desfilaram com vestimentas que lembram personagens conhecidas como nêga maluca.
“Sei que os carnavalescos têm autonomia para fazer isso e que, muitas vezes, a comunidade não tem poder de decisão para evitar coisas desse tipo. Mas, nesse caso, coreógrafo e diretoria acabaram por cometer esse erro [reforçar preconceitos por meio de estereótipos], o que ofuscou o brilho da escola”, disse a integrante do Pretas Candangas à Agência Brasil. “Mesmo que digam que não se trata da fantasia de nêga maluca, eles usaram de elementos que estereotipam o corpo da mulher negra, com seios e nádegas ampliadas. Não é homenagem. Não gostei”, acrescentou.
A crítica de Daniela se estende também às pessoas que usam a fantasia nos blocos de rua. “Em Belo Horizonte, por exemplo, há um bloco onde todos integrantes saem de nêga maluca. Nós, negros, somos um quarto da população e repudiamos ser representados como malucos. Cabelo e pele de negro não é fantasia, até porque temos de usá-los o ano inteiro. Não é objeto de riso, mas a identidade de alguém. E muitas pessoas morrem pelo simples fato de serem negras”, disse a integrante do coletivo Pretas Candangas.
Na avaliação dela, a pessoa pode até não saber que está sendo racista e se achando engraçada. “Mas quem diz se é racismo é o negro ou a negra. E, para mim, não existe exceção. É, sim, racismo”, completou, citando também, como exemplo, marchinhas como O Teu Cabelo não Nega, de Lamartine Babo.
Outro tipo de fantasia que incomoda a integrante do Pretas Candangas está relacionada à homofobia. “Sou totalmente contra que homofóbicos se vistam de mulheres. Quando eles se vestem de mulher, estão ferindo quem é transexual. Às vezes, é uma pessoa que fala mal e discrimina o travesti o ano inteiro. Mas no carnaval se veste como um, por considerar tal fantasia como algo ridículo”, argumentou.
A opinião de Daniela é corroborada pelo diretor da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) na Região Centro-Oeste, Evaldo Amorim. “Diante da cultura machista da sociedade brasileira, os preconceitos se apresentam na tendência de buscar risos e chacotas a partir das formas e vestes femininas. Assim, ridicularizam homossexuais, travestis, transexuais e a própria mulher, por colocar neles uma imagem ridícula, inferior, marginalizada e estereotipada. No caso dos homossexuais, apresentando-os como peças de humor e do ridículo, a exemplo do que é visto em programas de humor na televisão”, disse ele à Agência Brasil.
Para Amorim, é preciso que o carnaval tenha um limite: “É o respeito. A cultura anterior não pode ser mantida no sentido de ridicularizar as pessoas”, disse o diretor da ABGLT. “Acredito que a maioria dos homofóbicos não participariam dessa brincadeira. Mas há, sim, casos que podem ser identificados pelo comportamento. Eles usam dessas fantasias para ridicularizar, inferiorizar o outro.”
O que falta, na avaliação de Amorim e de Daniela, são campanhas educativas que mostrem às pessoas que, em atitudes desse tipo, elas podem estar reproduzindo diversas formas de preconceito. No entanto, o que se veicula na mídia, muitas vezes, é o oposto. “Vimos campanhas de uma cerveja dizendo às pessoas que, durante o carnaval, guardem o [termo] 'não' em casa. Isso é machismo, porque estimula homens a forçarem beijo nas mulheres. Acontece muito em Salvador. Lá os homens têm o hábito não só de roubar beijos, mas de passar a mão nas mulheres”, argumenta Daniela.
O fisioterapeuta Terge Vasconcelos se fantasiou de nêga maluca no último sábado, quando foi entrevistado pela Agência Brasil. Ele discorda da opinião da representante do Pretas Candangas. “Trata-se apenas de uma fantasia para brincar o carnaval. Nunca fui taxado de racista por ninguém em toda a minha vida. Pulo carnaval cercado de pessoas de todas as raças, que fazem parte do meu círculo de amizade”, disse. Nesta segunda-feira de carnaval, Terge se fantasiou de “Barbicha”, uma sereia com barba no rosto, dentro de uma caixa de boneca no estilo da Barbie. “Cada dia brinco com uma situação diferente. É para isso que existe o carnaval”, acrescentou.
Na opinião dela, a legislação brasileira, que proíbe, por exemplo, o uso de símbolos nazistas, deveria fazer o mesmo em situações como fantasias que incitem racismo ou homofobia. “Esses preconceitos estão no cotidiano do brasileiro, não apenas no carnaval. Portanto, no carnaval não seria diferente. Mesmo se usada como forma de ironia, com o objetivo de chamar a atenção para o racismo, é melhor não usar essas fantasias porque corre o risco de surtir o efeito oposto, tornando-se ofensivo a alguém. Se tem o risco de ser ofensivo, é melhor não usar”, destaca a militante.
Editor: Lílian Beraldo
Saiba mais:
Tags: carnaval 2015, preconceito, negros, homossexuais, discriminação, fantasias, nêga maluca, racismo, homofobia, Pretas Candangas, ABGLT, Cultura
"Nega maluca, não": Mulheres pedem fim de "fantasias de negras" no Carnaval
Só homens podem vestir a fantasia oficial do bloco Doméstica de Luxo, que no último fim de semana reuniu mais de 6 mil pessoas em Juiz de Fora, Minas Gerais. A caracterização se repete desde 1958, quando o grupo foi criado por seis amigos: avental, cabelo "black power", batom vermelho para engrossar os lábios e tinta preta cobrindo o rosto. Exatamente o oposto do que gostariam de ver mulheres negras como Stephanie, Jarid e Dandara, que conversaram com a BBC Brasil sobre racismo no Carnaval.
Além do exemplo mineiro, elas citam como motivos de desconforto marchinhas como "O Teu Cabelo Não Nega" ("Mas como a cor não pega, mulata / Mulata, eu quero o teu amor"), fantasias como a de "nega maluca" e clichês como a "mulata tipo exportação".
Para as entrevistadas, sob confetes e serpentinas circulam piadas machistas (com homens se vestindo de 'mulher fácil'), racistas (por meio da representação debochada da mulher negra) e com preconceito social (caso das piadas com o cotidiano das empregadas).
Segundo diretor do bloco Domésticas de Luxo, objetivo é "homenagear de forma singela as empregadas"
'Homenagem'
"Tenho certeza de que a maioria desses homens não tem a menor noção sobre a questão racial e, pior, não faz nenhum esforço para entender", diz a estudante de arquitetura Stephanie Ribeiro, de 21 anos, eleita uma das 25 mulheres negras mais influentes da internet brasileira.
"A origem que percebo na maioria dos 'bullies' é essa: uma dificuldade de se colocar no lugar do outro", afirma a jovem.
A reportagem conversou com um dos diretores do bloco Doméstica de Luxo, o administrador de empresas Odério Filho, que se disse surpreso com as críticas.
"A gente não tem preconceito", afirma. "O bloco foi criado em 1958 por seis amigos que decidiram pintar o rosto de preto e vestir uma roupa simples para homenagear de forma singela as empregadas."
Questionado sobre a associação da mulher negra ao trabalho doméstico, Odério diz defender a liberdade de expressão.
"Tratamos de forma carinhosa e caricata. A liberdade de expressão está aí. Queremos agregar qualquer tipo de pessoa - a única restrição é que só podem homens, como está no estatuto."
Stephanie contra-argumenta. "Hoje tenho um pouco de medo de ir para a rua num bloco porque me encaixo exatamente no padrão de mulher que eles constroem. O constrangimento não fica só no campo da palavra, da expressão, da fantasia. A agressão também é física: nos passam a mão e tratam como objeto de diversão."
"Nós não criticamos ou falamos mal (das mulheres)", rebate Odair. "A empregada doméstica surgiu no Brasil como a pessoa simples que trabalhava para a madame nas fazendas. Hoje, com a PEC das Domésticas, é uma profissão consagrada. E nós comemoramos isso."
Para a atriz recifense Dandara de Morais, "nega maluca" ridiculariza a mulher negra
'Cor do pecado'
"A origem que percebo na maioria dos 'bullies' é essa: uma dificuldade de se colocar no lugar do outro", diz a estudante Stephanie Ribeiro
A escritora e militante Jarid Arraes, de 24 anos, se diz "ofendida" com a "hipersexualização" das mulheres negras durante a festa.
"Somos retratadas como mulheres 'da cor do pecado', 'mulatas tipo exportação'. É o velho estereótipo de que as mulheres negras seriam mais sexuais do que as brancas - que por sua vez seriam para casar", diz.
A fantasia de "nega maluca" seria um exemplo "infelizmente muito comum até em eventos de movimentos sociais", segundo Jarid. "Aquela não é a imagem criada pela própria mulher negra. É criada pela elite branca, com exageros nas formas e curvas. Não dá para dizer que é inofensivo, que é diversão. É deboche", afirma.
A atriz Dandara de Morais, de 24 anos, conta ter vivido na própria pele o clichê da nega maluca.
"Faço balé desde criança. Aos 16, tivemos uma apresentação sobre bonecas - claro, para mim reservaram a 'nega maluca'", diz. "Hoje eu vejo como este tipo de representação da mulher negra a limita e ridiculariza."
São representações que Jarid promete combater até que os "estereótipos sejam derrotados".
"O carnaval é só sintoma de um problema muito maior: a repressão sexual, o moralismo, a desigualdade de oportunidades", diz. "A internet nos coloca numa posição mais visível que antigamente. As pessoas nos escutam, nos veem questionar e com isso conseguimos causar incomôdo."
"A origem que percebo na maioria dos "bullies" é essa: uma dificuldade de se colocar no lugar do outro", diz a estudante Stephanie Ribeiro
'Bons' blocos
Para a atriz recifense Dandara de Morais, 'nega maluca' ridiculariza a mulher negra
Por outro lado, as entrevistadas reconhecem que nem só de estereótipos é feito o Carnaval. A cada ano, ganham força pelo país blocos carnavalescos que pulam a festa levantando bandeiras sociais como o empoderamento feminino e a defesa de oportunidades iguais entre os sexos.
É o caso do bloco Rolezinho da Crioula, que desfilou no último domingo, na Vila Madalena, em São Paulo, com a missão de promover a cultura negra e o respeito às tradições afro-brasileiras.
Stephanie fez um chamado nas redes sociais em busca de indicações de blocos que não aceitam representações estereotipadas entre seus integrantes.
A lista com os principais está abaixo:
Fortaleza - CE - Afoxé Oxum Odolà, Tambores de Safo
Florianópolis - SC Bloco Carnavalesco Pula Catraca
Manaus – AM Bloco Maria Vem com as Coisas Outras
Recife – PE Ou Vai ou Racha
Rio de Janeiro – RJ Comuna Que Pariu, Agyto, Bloco das Perseguidas
Salvador – BA Folia Feminista, Olodum Muzenza, Malê de Balê, Banda Didá
São Paulo – SP Bloco Soviético, Bloco da fanfarra do Mal, Ilú Obá De Min, Adeus Amélia, Bloco do MAL, Bloco da Dona Yayá, Bloco da Abolição, Bloco do Peixe, SecoOlgazarra, Bloco da toca do saci, Ilú Obá
Fonte: http://carnaval.uol.com.br/2015/noticias/bbc/2015/02/10/nega-maluca-nao-mulheres-pedem-fim-de-fantasias-de-negras-no-carnaval.htm
Além do exemplo mineiro, elas citam como motivos de desconforto marchinhas como "O Teu Cabelo Não Nega" ("Mas como a cor não pega, mulata / Mulata, eu quero o teu amor"), fantasias como a de "nega maluca" e clichês como a "mulata tipo exportação".
Para as entrevistadas, sob confetes e serpentinas circulam piadas machistas (com homens se vestindo de 'mulher fácil'), racistas (por meio da representação debochada da mulher negra) e com preconceito social (caso das piadas com o cotidiano das empregadas).
Segundo diretor do bloco Domésticas de Luxo, objetivo é "homenagear de forma singela as empregadas"
'Homenagem'
"Tenho certeza de que a maioria desses homens não tem a menor noção sobre a questão racial e, pior, não faz nenhum esforço para entender", diz a estudante de arquitetura Stephanie Ribeiro, de 21 anos, eleita uma das 25 mulheres negras mais influentes da internet brasileira.
"A origem que percebo na maioria dos 'bullies' é essa: uma dificuldade de se colocar no lugar do outro", afirma a jovem.
A reportagem conversou com um dos diretores do bloco Doméstica de Luxo, o administrador de empresas Odério Filho, que se disse surpreso com as críticas.
"A gente não tem preconceito", afirma. "O bloco foi criado em 1958 por seis amigos que decidiram pintar o rosto de preto e vestir uma roupa simples para homenagear de forma singela as empregadas."
Questionado sobre a associação da mulher negra ao trabalho doméstico, Odério diz defender a liberdade de expressão.
"Tratamos de forma carinhosa e caricata. A liberdade de expressão está aí. Queremos agregar qualquer tipo de pessoa - a única restrição é que só podem homens, como está no estatuto."
Stephanie contra-argumenta. "Hoje tenho um pouco de medo de ir para a rua num bloco porque me encaixo exatamente no padrão de mulher que eles constroem. O constrangimento não fica só no campo da palavra, da expressão, da fantasia. A agressão também é física: nos passam a mão e tratam como objeto de diversão."
"Nós não criticamos ou falamos mal (das mulheres)", rebate Odair. "A empregada doméstica surgiu no Brasil como a pessoa simples que trabalhava para a madame nas fazendas. Hoje, com a PEC das Domésticas, é uma profissão consagrada. E nós comemoramos isso."
Para a atriz recifense Dandara de Morais, "nega maluca" ridiculariza a mulher negra
'Cor do pecado'
"A origem que percebo na maioria dos 'bullies' é essa: uma dificuldade de se colocar no lugar do outro", diz a estudante Stephanie Ribeiro
A escritora e militante Jarid Arraes, de 24 anos, se diz "ofendida" com a "hipersexualização" das mulheres negras durante a festa.
"Somos retratadas como mulheres 'da cor do pecado', 'mulatas tipo exportação'. É o velho estereótipo de que as mulheres negras seriam mais sexuais do que as brancas - que por sua vez seriam para casar", diz.
A fantasia de "nega maluca" seria um exemplo "infelizmente muito comum até em eventos de movimentos sociais", segundo Jarid. "Aquela não é a imagem criada pela própria mulher negra. É criada pela elite branca, com exageros nas formas e curvas. Não dá para dizer que é inofensivo, que é diversão. É deboche", afirma.
A atriz Dandara de Morais, de 24 anos, conta ter vivido na própria pele o clichê da nega maluca.
"Faço balé desde criança. Aos 16, tivemos uma apresentação sobre bonecas - claro, para mim reservaram a 'nega maluca'", diz. "Hoje eu vejo como este tipo de representação da mulher negra a limita e ridiculariza."
São representações que Jarid promete combater até que os "estereótipos sejam derrotados".
"O carnaval é só sintoma de um problema muito maior: a repressão sexual, o moralismo, a desigualdade de oportunidades", diz. "A internet nos coloca numa posição mais visível que antigamente. As pessoas nos escutam, nos veem questionar e com isso conseguimos causar incomôdo."
"A origem que percebo na maioria dos "bullies" é essa: uma dificuldade de se colocar no lugar do outro", diz a estudante Stephanie Ribeiro
Para a atriz recifense Dandara de Morais, 'nega maluca' ridiculariza a mulher negra
Por outro lado, as entrevistadas reconhecem que nem só de estereótipos é feito o Carnaval. A cada ano, ganham força pelo país blocos carnavalescos que pulam a festa levantando bandeiras sociais como o empoderamento feminino e a defesa de oportunidades iguais entre os sexos.
É o caso do bloco Rolezinho da Crioula, que desfilou no último domingo, na Vila Madalena, em São Paulo, com a missão de promover a cultura negra e o respeito às tradições afro-brasileiras.
Stephanie fez um chamado nas redes sociais em busca de indicações de blocos que não aceitam representações estereotipadas entre seus integrantes.
A lista com os principais está abaixo:
Fortaleza - CE - Afoxé Oxum Odolà, Tambores de Safo
Florianópolis - SC Bloco Carnavalesco Pula Catraca
Manaus – AM Bloco Maria Vem com as Coisas Outras
Recife – PE Ou Vai ou Racha
Rio de Janeiro – RJ Comuna Que Pariu, Agyto, Bloco das Perseguidas
Salvador – BA Folia Feminista, Olodum Muzenza, Malê de Balê, Banda Didá
São Paulo – SP Bloco Soviético, Bloco da fanfarra do Mal, Ilú Obá De Min, Adeus Amélia, Bloco do MAL, Bloco da Dona Yayá, Bloco da Abolição, Bloco do Peixe, SecoOlgazarra, Bloco da toca do saci, Ilú Obá
Fonte: http://carnaval.uol.com.br/2015/noticias/bbc/2015/02/10/nega-maluca-nao-mulheres-pedem-fim-de-fantasias-de-negras-no-carnaval.htm
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Globeleza 2015
Nova Globeleza conta que cobriu tatuagens para gravação e fala sobre o ciúme do namorado
Erika Moura revela o que disse para acalmar o dançarino Gabriel, com quem se relaciona há dois anos: ‘Eu sou sua’
por Nilton Carauta
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/nova-globeleza-conta-que-cobriu-tatuagens-para-gravacao-fala-sobre-ciume-do-namorado-15007333#ixzz3QurM7u1A
© 1996 - 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.
— Na hora pensei que era trote. A gente sempre acredita, mas pensa: “Será que vai ser?” Deu vontade de soltar fogos de artifício — recorda a paulista, que trabalhou como Jovem Aprendiz para pagar a faculdade de Fisioterapia, além de ter dado aulas de dança.
A boa notícia chegou em novembro, mas a mulata diz que precisou guardar segredo, contando a novidade apenas para a mãe, Maria Beth, 39, o pai, Francisco, 44, e o irmão, Erik, 18.
— Falava para os amigos que estava muito feliz, mas não dizia a razão. Minha madrinha queria saber o que estava acontecendo, mas tive que me segurar para não estragar a surpresa. Quando me vi pela primeira na televisão, chorei — conta com entusiasmo.
Segundo Erika, de 1,67m de altura e 55 quilos, o fato de aparecer seminua na TV, apenas com o corpo pintado, não assustou a família. Nem mesmo o irmão, evangélico, deixou de dar força e torcer por ela.
— Ele é da igreja, recatado. Mas me elogiou e disse que sou exemplo. Na verdade, minha família não olhou essa oportunidade pelo lado da nudez, ficaram felizes porque sabem o quanto é difícil arrumar trabalho fixo nessa área. É um nu artístico. O corpo de um artista serve para cativar o público. E ser Globeleza é muito maior. Represento o carnaval do Brasil — afirma a mulata, que tem Valéria Valenssa, primeira modelo a ocupar o posto entre 1993 e 2005, como referência: — Ela é eterna. O jeito que olhava para a câmera era marcante e tinha um belo sorriso. Foi lindo quando ela desfilou grávida.
A relação de Erika com a dança, ela conta, começou aos 5 anos. Mas desde pequena, Kinha, como ela é chamada pelos familiares, tinha outros sonhos:
— Eu falava para minha mãe: “Quero ser dançarina ou doutora”. Sonhava em ser pediatra para poder ajudar as crianças especiais. De alguma forma consegui realizar isso com a fisioterapia — conta ela, que ainda não concluiu o curso.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/nova-globeleza-conta-que-cobriu-tatuagens-para-gravacao-fala-sobre-ciume-do-namorado-15007333#ixzz3QurRXVYg
© 1996 - 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.
Fonte: http://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/nova-globeleza-conta-que-cobriu-tatuagens-para-gravacao-fala-sobre-ciume-do-namorado-15007333
sábado, 31 de janeiro de 2015
“O legado da escravidão e o preconceito contra negros no Brasil” - Proposta de redação da UNESP 2015
O vestibular da Unesp é realizado pela Vunesp (Fundação para o
Vestibular da Universidade Estadual Paulista) e tem como característica
abordar temas das mais variadas linhas, desde as de cunho social até as
pessoais e filosóficas. No vestibular 2015, em sua primeira fase que foi
realizada no dia quinze de dezembro de 2014, o tema da proposta de
redação foi “O legado da escravidão e o preconceito contra negros no Brasil”1,
que surpreendeu os candidatos, já que a Unesp é uma verdadeira caixinha
de surpresas em termos de temas de propostas de redação. Apesar desta
aparência tranquilidade, ressaltamos que o tema não é relacionado à
escravidão passada, mas sim ao seu legado, às suas consequências, como o
racismo, que, infelizmente, perduram até hoje no Brasil.
Deste modo, de antemão, o candidato deveria ter abordado as consequências atuais da escravidão (racismo) no Brasil e não no mundo todo ou em outro país. Dissertar sobre a história da escravidão, por exemplo, e não chegar ao seu legado atual é tangenciar o tema.
A proposta de redação, na íntegra, é a seguinte:
Assim iniciou-se mais uma fase da vida da população negra à margem, literalmente, do restante da sociedade, ou seja, nas periferias e nos morros das cidades, isolados, afastados e sem nenhuma condição de qualidade de vida, o que ainda acontece nas favelas e comunidades por todo o país, infelizmente.
O segundo texto da coletânea, de autoria de Ali Kamel, de um modo é uma continuidade do primeiro texto, pois retrata a condição do negro no mercado de trabalho, mais especificamente em grandes empresas, e constata a pouca mão de obra negra e relaciona este fato não à cor da pele, mas sim à pobreza e à má distribuição da renda da qual a população negra é vítima desde a abolição da escravidão.
O candidato poderia, em sua redação, adicionar a isto o fato de que os trabalhadores negros ganham menos do que os branco inclusive quando ocupam os mesmos cargos e estes fatos estão conectados ao fato de que poucos estudantes negros conseguem adentrar nas universidades públicas e particulares do Brasil e, para tratar este problemas, as cotas foram criadas como medidas afirmativas. Porém, ressaltamos que a proposta de redação não trata das cotas raciais, mas elas podem ser trazidas pelos candidatos como estratégias argumentativas.
O terceiro texto da coletânea textual, por sua vez, contesta a afirmação ilusória de que, no Brasil, não há preconceito racial. Basta conversarmos com uma pessoa negra para verificarmos que isto é, realmente, uma mentira. A todo o momento temos provas disso, desde piadas racistas até publicidades e programas de televisão com cunho preconceituoso, como foi o caso de Sexo e as Nega da rede Globo, contrariando Lado a Lado. Nesta série, as mulheres negras são retratadas como objetos sexuais, nada mais e isto gerou inúmeras discussões, principalmente nas redes sociais, fato que pode ter sido colocado, pelos candidatos, como um legado da escravidão no Brasil.
O quarto e último texto da coletânea textual é uma continuação do terceiro e questiona, novamente, a inexistência do racismo no nosso país. Ninguém é racista, mas conhece um.
Os casos de racismo no futebol brasileiro que ocorreram em 2014 são um legado da escravidão brasileira. A torcedora do Grêmio que chamou de “macaco” o goleiro Aranha, do Santos, argumentou que tem amigos negros e que já saiu com homens negros, mas isso não justifica ela ter enchido a boca para ofender o jogador oponente.
O caso do casal de namorados – ela negra e ele branco – que postou uma foto juntos em uma rede social e foi alvo de preconceitos é um legado da escravidão no Brasil. E ainda há quem diga que não há racismo por aqui…
Portanto, o tema da proposta de redação da Unesp 2015 é pertinente, atual e importante e poderia muito bem ser uma proposta de redação do Enem com a adição da exigência de uma proposta de intervenção social que objetivasse eliminar, de fato e de vez, o racismo no Brasil.
*CAMILA DALLA POZZA PEREIRA é graduada e mestranda em Letras/Português pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente trabalha na área da Educação exercendo funções relacionadas ao ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Foi corretora de redação em em importantes universidades públicas. Além disso, também participou de avaliações e produções de vários materiais didáticos, inclusive prestando serviço ao Ministério da Educação (MEC). **Camila também é colunista semanal sobre redação do infoEnem. Um orgulho para nosso portal e um presente para nossos milhares de leitores! Seus artigos serão publicados todas às quintas-feiras, não percam!
FONTE: http://www.infoenem.com.br/analise-de-tema-da-redacao-unesp-2015/
Deste modo, de antemão, o candidato deveria ter abordado as consequências atuais da escravidão (racismo) no Brasil e não no mundo todo ou em outro país. Dissertar sobre a história da escravidão, por exemplo, e não chegar ao seu legado atual é tangenciar o tema.
A proposta de redação, na íntegra, é a seguinte:
Texto 1O primeiro texto da coletânea afirma que a Lei Áurea, assinada em 1888, não garantiu a integral liberdade dos ex-escravos, o que é uma verdade. O candidato que estudou bem História, ao ler este texto de Emília Viotti da Costa, deveria ter relacionado estas afirmações com os fatos de que muitos negros, após a abolição, continuaram trabalhando nos mesmos lugares, pois não tinham para onde ir e os que foram embora das fazendas e das casas nas quais trabalhavam foram morar nas periferias das cidades; primeiramente, nos cortiços e, após uma limpeza urbana como ocorreu no Rio de Janeiro, nos morros. A novela Lado a Lado, da rede Globo, exibida entre os anos 2012 e 2013 mostrou muito bem este período histórico e foi uma bela aula de História.
O Brasil era o último país do mundo ocidental a eliminar a escravidão! Para a maioria dos parlamentares, que se tinham empenhado pela abolição, a questão estava encerrada. Os ex-escravos foram abandonados à sua própria sorte. Caberia a eles, daí por diante, converter sua emancipação em realidade. Se a lei lhes garantia o status jurídico de homens livres, ela não lhes fornecia meios para tornar sua liberdade efetiva. A igualdade jurídica não era suficiente para eliminar as enormes distâncias sociais e os preconceitos que mais de trezentos anos de cativeiro haviam criado. A Lei Áurea abolia a escravidão mas não seu legado. Trezentos anos de opressão não se eliminam com uma penada. A abolição foi apenas o primeiro passo na direção da emancipação do negro. Nem por isso deixou de ser uma conquista, se bem que de efeito limitado.
(Emília Viotti da Costa. A abolição, 2008.)Texto 2
O Instituto Ethos, em parceria com outras entidades, divulgou um estudo sobre a participação do negro nas 500 maiores empresas do país. E lamentou, com os jornais, o fato de que 27% delas não souberam responder quantos negros havia em cada nível funcional. Esse dado foi divulgado como indício de que, no Brasil, existe racismo. Um paradoxo. Quase um terço das empresas demonstra a entidades seriíssimas que “cor” ou “raça” não são filtros em seus departamentos de RH e, exatamente por essa razão, as empresas passam a ser suspeitas de racismo. Elas são acusadas por aquilo que as absolve. Tempos perigosos, em que pessoas, com ótimas intenções, não percebem que talvez estejam jogando no lixo o nosso maior patrimônio: a ausência de ódio racial.
Há toda uma gama de historiadores sérios, dedicados e igualmente bem-intencionados, que estudam a escravidão e se deparam com esta mesma constatação: nossa riqueza é esta, a tolerância. Nada escamoteiam: bem documentados, mostram os horrores da escravidão, mas atestam que, não a cor, mas a condição econômica é que explica a manutenção de um indivíduo na pobreza. […]. Hoje, se a maior parte dos pobres é de negros, isso não se deve à cor da pele. Com uma melhor distribuição de renda, a condição do negro vai melhorar acentuadamente. Porque, aqui, cor não é uma questão.
(Ali Kamel. “Não somos racistas”. www.oglobo.com.br, 09.12.2003.)Texto 3
Qualquer estudo sobre o racismo no Brasil deve começar por notar que, aqui, o racismo é um tabu. De fato, os brasileiros imaginam que vivem numa sociedade onde não há discriminação racial. Essa é uma fonte de orgulho nacional, e serve, no nosso confronto e comparação com outras nações, como prova inconteste de nosso status de povo civilizado.
(Antonio Sérgio Alfredo Guimarães. Racismo e anti-racismo no Brasil, 1999. Adaptado.)Texto 4
Na ausência de uma política discriminatória oficial, estamos envoltos no país de uma “boa consciência”, que nega o preconceito ou o reconhece como mais brando. Afirma-se de modo genérico e sem questionamento uma certa harmonia racial e joga-se para o plano pessoal os possíveis conflitos. Essa é sem dúvida uma maneira problemática de lidar com o tema: ora ele se torna inexistente, ora aparece na roupa de alguém outro.
É só dessa maneira que podemos explicar os resultados de uma pesquisa realizada em 1988, em São Paulo, na qual 97% dos entrevistados afirmaram não ter preconceito e 98% dos mesmos entrevistados disseram conhecer outras pessoas que tinham, sim, preconceito. Ao mesmo tempo, quando inquiridos sobre o grau de relação com aqueles que consideravam racistas, os entrevistados apontavam com frequência parentes próximos, namorados e amigos íntimos. Todo brasileiro parece se sentir, portanto, como uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados.
(Lilia Moritz Schwarcz. Nem preto nem branco, muito pelo contrário, 2012. Adaptado.)Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma redação de gênero dissertativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema: O legado da escravidão e o preconceito contra negros no Brasil
Assim iniciou-se mais uma fase da vida da população negra à margem, literalmente, do restante da sociedade, ou seja, nas periferias e nos morros das cidades, isolados, afastados e sem nenhuma condição de qualidade de vida, o que ainda acontece nas favelas e comunidades por todo o país, infelizmente.
O segundo texto da coletânea, de autoria de Ali Kamel, de um modo é uma continuidade do primeiro texto, pois retrata a condição do negro no mercado de trabalho, mais especificamente em grandes empresas, e constata a pouca mão de obra negra e relaciona este fato não à cor da pele, mas sim à pobreza e à má distribuição da renda da qual a população negra é vítima desde a abolição da escravidão.
O candidato poderia, em sua redação, adicionar a isto o fato de que os trabalhadores negros ganham menos do que os branco inclusive quando ocupam os mesmos cargos e estes fatos estão conectados ao fato de que poucos estudantes negros conseguem adentrar nas universidades públicas e particulares do Brasil e, para tratar este problemas, as cotas foram criadas como medidas afirmativas. Porém, ressaltamos que a proposta de redação não trata das cotas raciais, mas elas podem ser trazidas pelos candidatos como estratégias argumentativas.
O terceiro texto da coletânea textual, por sua vez, contesta a afirmação ilusória de que, no Brasil, não há preconceito racial. Basta conversarmos com uma pessoa negra para verificarmos que isto é, realmente, uma mentira. A todo o momento temos provas disso, desde piadas racistas até publicidades e programas de televisão com cunho preconceituoso, como foi o caso de Sexo e as Nega da rede Globo, contrariando Lado a Lado. Nesta série, as mulheres negras são retratadas como objetos sexuais, nada mais e isto gerou inúmeras discussões, principalmente nas redes sociais, fato que pode ter sido colocado, pelos candidatos, como um legado da escravidão no Brasil.
O quarto e último texto da coletânea textual é uma continuação do terceiro e questiona, novamente, a inexistência do racismo no nosso país. Ninguém é racista, mas conhece um.
Os casos de racismo no futebol brasileiro que ocorreram em 2014 são um legado da escravidão brasileira. A torcedora do Grêmio que chamou de “macaco” o goleiro Aranha, do Santos, argumentou que tem amigos negros e que já saiu com homens negros, mas isso não justifica ela ter enchido a boca para ofender o jogador oponente.
O caso do casal de namorados – ela negra e ele branco – que postou uma foto juntos em uma rede social e foi alvo de preconceitos é um legado da escravidão no Brasil. E ainda há quem diga que não há racismo por aqui…
Portanto, o tema da proposta de redação da Unesp 2015 é pertinente, atual e importante e poderia muito bem ser uma proposta de redação do Enem com a adição da exigência de uma proposta de intervenção social que objetivasse eliminar, de fato e de vez, o racismo no Brasil.
- Todos os cadernos de questões e de redação do vestibular 2015 da Unesp, assim como maiores informações, estão disponíveis em http://vestibular.unesp.br/.
*CAMILA DALLA POZZA PEREIRA é graduada e mestranda em Letras/Português pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente trabalha na área da Educação exercendo funções relacionadas ao ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Foi corretora de redação em em importantes universidades públicas. Além disso, também participou de avaliações e produções de vários materiais didáticos, inclusive prestando serviço ao Ministério da Educação (MEC). **Camila também é colunista semanal sobre redação do infoEnem. Um orgulho para nosso portal e um presente para nossos milhares de leitores! Seus artigos serão publicados todas às quintas-feiras, não percam!
FONTE: http://www.infoenem.com.br/analise-de-tema-da-redacao-unesp-2015/
Assinar:
Postagens (Atom)



