quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Memorial da Equipe Multidisciplinar



Secretaria de Estado da Educação do Paraná
Núcleo Regional de Educação de Maringá
Colégio Estadual Marco Antonio Pimenta - Ensino Fundamental e Médio
                                                                                                                   










Memorial da Equipe Multidisciplinar














Maringá – Paraná
2013
Secretaria de Estado da Educação do Paraná
Núcleo Regional de Educação de Maringá
Colégio Estadual Marco Antonio Pimenta - Ensino Fundamental e Médio
                                                                                                                   






Memorial da Equipe Multidisciplinar
Coordenação
Laura Lopes de Paiva

Equipe Pedagógica      
Márcia de Oliveira
Telma da Silva Rodrigues

Professora da Área de Biológicas     
Maria Anunciata Albanez

Professores da Área de Humanas
Doralice Ferrareze dos Santos
Elizabete dos Santos Meirelles
Fernando César Fernandes
Laura Lopes de Paiva
Ruth dos Santos
Silvia Miotto

Professora da Área de Exatas
Luci Martins Ramos

Agente Educacional:
Lucieny Aparecida Rocha Santos

Representante das Instâncias Colegiadas
Claudineia Buzo Trevisi – APMF
                                            
Maringá – Paraná
2013
A Equipe Multidisciplinar no colégio se efetivou no último trimestre deste ano, contudo na prática pedagógica as atividades pertinentes à história e cultura africana, e, afro-brasileira foram desenvolvidas ao longo do período letivo em diversas disciplinas: Língua Portuguesa, Arte, História, Sociologia, Filosofia, Matemática e Biologia, conforme relato a seguir. Todas as atividades realizadas com o objetivo de desconstruir o preconceito na comunidade escolar e no exercício da cidadania.

Assim que se constituiu a Equipe Multidisciplinar foi oferecido um curso de capacitação para a maioria dos membros da Equipe e demais interessados da comunidade escolar.

O referido curso contou com a participação de quatorze professores: Doralice Ferrareze dos Santos (Língua Inglesa), Eliane Boaventura da Silva Sá Ponhozi (Arte), Elizabete dos Santos Meirelles (Língua Portuguesa), Fernando César Fernandes (Educação Física), Jocel José de Sousa (Geografia), Laura Lopes de Paiva (Língua Portuguesa), Louise Akemi Sousa (Sociologia), Luci Martins Ramos (Matemática), Márcia de Oliveira (Pedagoga), Maria Anunciata Albanez (Biologia), Romeu Vieira (História), Ruth dos Santos (História), Silvia Miotto (Geografia) e Telma da Silva Rodrigues (Pedagoga). 

Com o seguinte conteúdo programático: Estudar o Plano de Ação da Equipe Multidisciplinar e plano de trabalho; Conhecer as Leis 10.s/03;11.645/08, sobre a obrigatoriedade de incluir no Currículo Escolar as discussões à História e Cultura Africana, Afro-brasileira e Indígena; Resolução 01/04 – Conselho Nacional de Educação, que Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História  e Cultura Africana, Afro-brasileira e Indígena. No intuito de compreender o objetivo e a importância de conhecer e se fazer conhecer as leis; Estudo sobre a África na antiguidade nos continentes africanos, em especial, com os professores de História e Arte do Ensino Fundamental; Analisar o desenvolvimento dos trabalhos propostos, discussão sobre a desmistificação da África, do negro na história; Redefinição de conceitos sobre raça x racismo, étnica x cultura e políticas públicas; Participar de palestras com palestrantes da própria escola; Participar de oficinas de história e cultura afro, nos seguintes eventos: semana cultural; artesanato, dança afro, culinária;  moda, customização de roupas; cartazes; Participar de curso de extensão a distância educação das relações etnico-raciais;  Participar de Festival Afro-Brasileiro; Participar de sessões de vídeo sobre etnia racial e sua influência religiosa nas áreas de  Biologia, História, Geografia, Língua Portuguesa e Arte.

O curso oferecido pela Equipe Multidisciplinar possibilitou uma nova visão da realidade preconceituosa em relação a determinados fatos, atitudes e comportamentos.  Antes de iniciar o curso o preconceito parecia ínfimo, já superado, no entanto, ele permanece velado. Precisamos agir na desconstrução da ideia equivocada do “natural” quanto à diversidade e a marginalização do afrodescendente.
O conteúdo programático do curso foi organizado da seguinte forma:
a)    Estudar o Plano de Ação da Equipe Multidisciplinar – 06 h
b)     Conhecer as Leis 10.s/03;11.645/08, sobre a obrigatoriedade de incluir no Currículo Escolar as discussões à História e Cultura Africana, Afro-brasileira e Indígena – 06 h
c)    Resolução 01/04 – Conselho Nacional de Educação, que Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História  e Cultura Africana, Afro-brasileira e Indígena. – 06 h
d)    Estudo sobre a África na antiguidade nos continentes africanos, em especial, com os professores de História e Arte do Ensino Fundamental. – 06 h
e)    Analisar o desenvolvimento dos trabalhos propostos, discussão sobre a desmistificação da África, do negro na história. – 06 h
f)     Realização de palestras com palestrantes da própria escola–06 h
g)    Oficinas de apresentações da história e cultura afro no dia da Consciência Negra – 06 h 
h)   Atividades extras de leitura, reflexão e participação no blog Multidisciplinarcemap – 18h
Foram muitas experiências vivenciadas na prática pedagógica, após a constituição da Equipe Multidisciplinar, elas ficaram mais em evidência, nossos olhos foram desvendados, a seguir o relato das experiências mais significativas. Ressalta-se que dessas experiências, algumas são de professores que não participaram do curso e não são membros da Equipe Multidisciplinar.

Ensino Fundamental

Eliane Boaventura Sá Ponhozi – Arte - 6ºs, 7ºs e 8ºs A e C
AnexoAssunto: Interpretação de texto através da pintura
Metodologia desenvolvida:  6ºs ANOS
1) Escuta musical - música conhecida pelos alunos.
Tema do filme O Rei Leão: THE LION SLEEPS TONIGHT
Objetivo: que fosse identificado o ritmo africano.
2) Espaço para os alunos comentarem o que pensam sente e sabem sobre a influência da cultura africana em nossa cultura e o Dia da Consciência Negra.
3) Leitura da letra da música RACISMO É BURRICE de Gabriel o Pensador.
4) Interpretação sobre as principais ideias do texto relacionando com a visão de mundo e sociedade dos alunos.
5) Comparação da qualidade do texto musical de Gabriel o Pensador com as letras com pouco ou nenhum conteúdo das músicas (funk, sertanejo universitário), de fácil memorização, das músicas popularizadas pela mídia.
6) Apreciação de obras visuais (pinturas) de diferentes artistas sobre o mesmo tema (cultura afro)
7) leitura das estruturas e elementos constitutivos (pontos, linha, forma e cor)
8) Produção (desenho e pintura)
9) Exposição coletiva em TNT preto.
AnexoAssunto: Interpretação de texto através da pintura
Metodologia desenvolvida 7º ANOS
1) Escuta musical - música conhecida pelos alunos.
Tema do filme O Rei leão: THE LIONS SLEEPS TONIGHT
Objetivo – identificar o ritmo africano
2) Espaço para os alunos comentarem o que pensam sente e sabem sobre a influência da cultura africana em nossa cultura e o Dia da Consciência Negra.
3) Leitura da letra da música RACISMO É BURRICE de Gabriel o Pensador.
4) Interpretação sobre as principais ideias do texto relacionando com a visão de mundo e sociedade dos alunos.
5) Comparação da qualidade do texto musical de Gabriel o Pensador com as letras com pouco ou nenhum conteúdo das músicas (funk, sertanejo universitário), de fácil memorização, das músicas popularizadas pela mídia.
6) Leitura de texto sobre as contribuições da cultura africana e indígena para o artesanato brasileiro.
7) apresentação e execução da técnica de enrolar (canudinhos de papel) para confeccionar o próprio artesanato (colar com papel reciclado)
8º Criação do próprio artesanato (colares)
9) confecção de uma representação de mulher africana (baiana) para exposição dos colares.
Assunto: máscaras africanas
Metodologia desenvolvida 8º ANOS
1) Escuta musical - música conhecida pelos alunos.
Tema do filme O Rei leão: THE LIONS SLEEPS TONIGHT
Objetivo: identificar o ritmo africano.
2) Espaço para os alunos comentarem o que pensam sente e sabem sobre a influência da cultura africana em nossa cultura e o Dia da Consciência Negra.
3) Leitura da letra da música RACISMO É BURRICE de Gabriel o Pensador.
4) Interpretação sobre as principais ideias do texto relacionando com a visão de mundo e sociedade dos alunos.
5) Comparação da qualidade do texto musical de Gabriel o Pensador com as letras com pouco ou nenhum conteúdo das músicas (funk, sertanejo universitário), de fácil memorização, das músicas popularizadas pela mídia.
6) leitura e apreciação de imagens (obras cubistas) do artista Pablo Picasso.
7) Leitura de texto\; A influência da Arte Africana nas obras do artista Pablo Picasso.
8) Leitura e apreciação de imagens (máscaras africanas)
9) Produção de releituras de c utilizando a técnica do recorte em simetria (no papel sulfite branco)
10) Exposição das releituras de máscaras africanas em TNT vermelho e preto.
Resultados alcançados: Adquirir conhecimentos, fazer trocas e novas conexões, ter uma compreensão diferente da inicial, com mais qualidade e acreditando que pode e deve questionar o mundo, identificar e desconstruir preconceitos próprios ou sociais, valorizar raízes culturais, dar o melhor de si e perceber o que o outro tem de melhor e belo e assim contribuir para que a sociedade caminhe sempre buscando mais solidariedade, justiça, igualdade e qualidade de vida para todos.

Professora Elizabete Silva Meirelles de Oliveira - Língua Portuguesa – 8ª A
Assunto: pesquisa sobre a contribuição da cultura afro.
Metodologia desenvolvida: levar a turma toda ao laboratório de informática em equipes de até cinco alunos para pesquisarem sobre a contribuição da cultura afro nos esportes, na culinária, dança, poesia, artes visuais. O resultado da pesquisa foi registrado em cartazes afixados no mural do colégio.
Resultados alcançados: na discussão a respeito das pesquisas efetuadas pelos alunos, eles puderam expor sua opinião e conclusões a respeito do mesmo. Alguns falaram do encantamento quanto à diferente moda (trajes,  acessórias variados e cabelos das tribos africanas), assim, se como dos variados pratos dos quais sempre se alimentaram e não sabiam que eram de origem afro. Os mais apaixonados por esportes contribuíram citando os vários atletas que têm se destacado em nosso país e que também são de origem afro.



Professora Fernanda Marques - Arte – 8 B
Assunto: Teatro de sombras. Produção de teatro de sombras, utilizando como roteiro contos africanos.
Metodologia desenvolvida: exposição de pintura africana, após aula explicativa e de apreciação de imagens com característica da arte africana. Apreciação de imagens de história do teatro de sombras. Jogos teatrais e de improvisação. Escolha do conto africano. Construção do material. Explicação das características da arte africana até a contemporaneidade.  Pintura/representação da arte africana após contextualização e apreciação.
Resultados alcançados: com apresentação dos grupos e exposição de trabalho concluído.

Fernando César Fernandes - Educação Física – 6A e 7B
Assunto: capoeira
Metodologia desenvolvida: aula expositiva para contextualizar o período em que surgiu a capoeira e as influências que ela recebeu. Realização de uma pesquisa para entender a capoeira vista como luta, dança,  jogo e esporte. Formação de uma roda de capoeira pelos alunos praticantes e iniciantes.
Resultados alcançados: os alunos se mostraram perplexos ao conhecer um pouco da vida na senzala, o que despertou interesse e curiosidade, motivando-os para pesquisa que trouxe muitos fatos significativos da história do negro e sua luta no Brasil. Na roda todos participaram, entrando no ritmo das palmas e no jogo da capoeira.

Professora Luci Martins Ramos - Matemática – 8A 
Assunto: Estatística e ângulos
Metodologia desenvolvida: no planejamento do terceiro trimestre foi proposta uma atividade sobre a cor dos alunos da sala, na qual os mesmos deveriam fazer uma coleta de dados, calcular a porcentagem, o ângulo relacionado a ela e construir o gráfico de setor.
Resultados alcançados: Não foi possível realizar a atividade antes da Semana de Consciência Negra, fica a sugestão para o próximo período letivo.
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Professora Luzia Aparecida dos Santos - Língua Portuguesa – 6B,  6C e 7B
Assunto: contos e lendas africanas
Metodologia desenvolvida: conversa sobre os contos tradicionais que conhecemos, principalmente de origem européia e  as lendas brasileiras. Trazer para os alunos os contos e lendas africanas e sua riqueza de ensinamentos. Assistir ao filme “Kiriku” (lenda africana). Comentários sobre o enredo do filme. Escrever sobre a parte que mais gostaram e ilustração.
Resultados alcançados: os alunos gostaram do filme, apesar de conhecerem, pois é sempre trabalhado nos anos iniciais (1º ao 5º ano). Assistiram ao filme com atenção e desenvolveram as atividades com interesse.

Professora Rosângela Pacheco de Sá Parolin - Matemática – 9 B e 7B
Assunto: apresentação do vídeo: O xadrez das cores.
Metodologia desenvolvida: debate sobre o preconceito. Escreveram uma pequena redação sobre o assunto.
Resultados alcançados: gerou discussões sobre os diversos tipos de preconceito.

Professora Ruth dos Santos - História – 8 B
Assunto: estudo do texto: a África na era da globalização.
Metodologia desenvolvida: aula expositiva; debate com os alunos e entre eles, sobre o texto; em elação ao processo de independência das colônias africanas que foi marcado por conflitos de natureza política e étnica que muitos casos se arrastam até hoje.
Resultados alcançados: satisfatório, pois gerou interesse entre os alunos e boa discussão.

Professora Sílvia Mioto - Geografia – 8 A, B d C
Assunto: estudo do texto: “A cara do brasileiro”
Metodologia desenvolvida: A partir do texto: “A cara do brasileiro”
 Da Revista Superinteressante, foi realizada a discussão em sala com a análise dos dados do texto pelos alunos.
Resultados alcançados: Muitos alunos ficaram surpresos com o resultado da pesquisa descrita no texto, em que a miscigenação ocorreu em maior parte nas mulheres e que a carga genética não era compatível com a cor da pele das pessoas analisadas na pesquisa.

Professora Simone Boga - Matemática – Apoio 8 A B
Assunto: confecção de jogos matemáticos, jogo chamado Mankhala com a turma e outro jogo chamado Shisima (pulga d’água)
Metodologia desenvolvida: foi entregue aos alunos um “material impresso” divulgando  o que seria necessário para confeccionar os jogos. Foi relatada a origem dos jogos, falando que crianças no continente africano são muito pobres sem ter condições de ter brinquedos novos, muitos confeccionam os seus próprios brinquedos com garrafas descartáveis, tampinhas de refrigerante, quanto aos tabuleiros dos jogos citados eles usavam o chão de terra fazendo riscos para representar o tabuleiro do Shisima e as peças eram as pedras quanto ao jogo Mankhala, o tabuleiro do jogo, também era o “chão de terra” e faziam buracos e as peças também eras as pedras o que muda de um jogo do outro é o formato do tabuleiro e as regras.
Resultados alcançados: foram além do que se esperava, os alunos gostaram de confeccionar os jogos e conhecer um pouco da cultura africana sem falar que também puderam jogar entre eles.


Telma da Silva Rodrigues – Equipe Pedagógica - 8ª A
Assunto: Projeção do filme - “Um Sonho Possível”.
Ficha Técnica:
Direção: John Lee Hancock
Nome Original: The blind side
Ano: 2010
Elenco: Sandra Bullock / Quinton Aaron
Duração: 128 min.
País: EUA
Gênero: Drama
Metodologia desenvolvida: Apresentar para a turma do 8ª A o filme “Um Sonho Possível”, com a intenção de trabalhar questões como: preconceito, racismo, relação professor e aluno, desestrutura familiar, inclusão. A escolha do filme se dá porque algumas vezes a equipe pedagógica mediou casos de bullying e preconceito nesta turma.  Após a projeção proporcionar aos alunos momento de reflexão sobre a temática central do filme, destacando o papel fundamental da protagonista para reverter à situação de abandono e miserabilidade em que o adolescente se encontrava.

Resultados alcançados: Durante a discussão sobre o filme foi possível analisar o grau de entendimento dos alunos em relação à temática. Foi solicitado aos alunos que fizessem um breve relatório sobre o filme, destacando a temática em torno do “preconceito”. 
 



Ensino Médio

Professora Adelirian Martins Lara Lopes - Biologia – 2 e 3 EM
Assunto: Botânica - 2EM 
Metodologia desenvolvida: a partir do conteúdo de Botânica e suas aplicações pelo homem, a contribuição dos africanos ao longo da história do Brasil no uso de Fitoterápicos.
Resultados alcançados: ampliar os conhecimentos no metabolismo vegetal e na contribuição dos negros e dos terreiros de umbanda e candomblé para a disseminação do conhecimento de plantas medicinais no Brasil.
Assunto: genética - 3EM
Metodologia desenvolvida: utilizando os conteúdos de genética, utilizou-se o gene para albinismo (ausência de pigmentação na pele) para trabalhar preconceito e racismo. Recurso vídeo fornecido pela Cruz Vermelha sobre os genocídios que ocorrem na África por conta dessa característica genética (produto da ignorância, religiosidade e preconceito).
Resultados alcançados: amarrar os conteúdos com a prática, a reflexão e a busca da aplicação ao exercer sua cidadania.

Professor Fabiano Queiroz da Silva - Filosofia – 2EM
Assunto: “Ética e moralidade” e por conta disso, abordou o assunto ”preconceito racial”.
Metodologia desenvolvida: exposição do conteúdo ética e moralidade e, sobretudo, em um debate com os estudantes, para que mostrassem os posicionamentos acerca do problema do preconceito racial.
Resultados alcançados: os estudantes demonstram grandes preocupações com o problema da violência, principalmente em caso de racismo.
  
Professora Laura Lopes de Paiva – Produção de texto – Ensino Médio
Assunto: “O que desejo em 20 de novembro de 2020” Concurso de Prosa, Poema e Fotografia – Juventude Viva. 1AB 2,A,  e 3A
Metodologia desenvolvida: Prática discursiva oral e escrita. Exposição do tema do concurso. Discussão sobre as diversas ações de enfrentamento da violência contra jovens negros. Homicídios são a principal causa da morte de jovens no Brasil. Entre as principais vítimas estão os negros, do sexo masculino e moradores das periferias. Produção de texto: prosa e poema. Leitura, correção e refacção de textos produzidos; publicação de alguns no blog http://multidisciplinarcemap.blogspot.com.br/
Resultados alcançados: desenvolver a criticidade do estudante e incentivar a prática da escrita, refletir e expor suas ideias, contribuindo para um amplo debate na sociedade sobre a temática.

Assunto: Consciência Negra no Gênero textual resposta interpretativa-argumentativa. Proposta: Precisamos de consciência humana 365 dias para formar a conscientização a respeito do dia 20 de novembro,  dia nacional da Consciência Negra. A partir das informações apresentadas na mídia, e também, na escola, redija, em 10 linhas, uma resposta argumentativa à pergunta “Por que o preconceito ainda permeia a população brasileira?” – 1A  Ensino Médio. Proposta: Precisamos de consciência humana 365 dias para formar a conscientização a respeito do dia 20 de novembro. A partir das informações apresentadas na mídia, e também, veiculadas na escola, redija, em 10 linhas, uma resposta interpretativa-argumentativa à pergunta “Hoje, no Brasil, o negro apresenta o mesmo status social que o branco? – 1B  Ensino Médio. 
Metodologia desenvolvida: Prática discursiva oral e escrita. Discussão sobre as diversas mensagens e programações veiculadas na mídia e no assunto no decorrer do ano letivo: Consciência Negra. Produção de texto no Gênero textual resposta interpretativa-argumentativa. Leitura, correção e digitação de textos produzidos; publicação de alguns no blog http://multidisciplinarcemap.blogspot.com.br/
Resultados alcançados: desenvolver a criticidade do estudante e incentivar a prática da escrita, refletir e expor suas ideias sobre a Consciência Negra.

Assunto: “Concurso de redação “O Prêmio Construindo a Igualdade de Gêneroestimular e fortalecer a reflexão crítica e a pesquisa acerca das desigualdades existentes entre homens e mulheres, negros e idosos em nosso país e sensibilizar a sociedade para tais questões.  1AB 2,A,  e 3A
Metodologia desenvolvida: Prática discursiva oral e escrita. Exposição do tema do concurso. Leitura de noticiários sobre a temática e conversa sobre acontecimentos na comunidade. Discussão sobre as diversas ações de enfrentamento da violência contra homens, mulheres, negros e homossexuais. Produção de texto dissertativo-argumentativo. Leitura, correção e refacção de textos produzidos; publicação de alguns no blog http://multidisciplinarcemap.blogspot.com.br/
Resultados alcançados: desenvolver a criticidade do estudante e incentivar a prática da escrita, refletir e expor suas ideias, contribuindo para um amplo debate na sociedade sobre a temática e desconstruir o preconceito.

Assunto: Consciência Negra no Gênero textual Instrucional/Receita. Proposta: “Conheça a contribuição da gastronomia africana na alimentação brasileira. A culinária africana se tornou uma fonte de ingredientes, não só para o Brasil, mas para diversos países do mundo”..1 A   Ensino Médio.  “Conheça as plantas medicinais de origem afro e toda contribuição para a cultura brasileira”. ..1 B   Ensino Médio. 
Metodologia desenvolvida: Pesquisa na internet sobre a receita culinária ou a planta medicinal, origem, curiosidades, indicação e contra-indicação, contribuição para a cultura brasileira. Reelaborar a receita, desenvolvê-la e apresentá-la na sala de aula. Produção de texto instrucional. Leitura, correção e refacção de textos produzidos; publicação de alguns no blog http://multidisciplinarcemap.blogspot.com.br/
Resultados alcançados: desenvolver o conhecimento do estudante sobre a contribuição afro na gastronomia e medicina nacionais e incentivar a prática da escrita.  

Assunto: Cotas o justo e injusto de Lyia Luft – Gênero textual Artigo de Opinião 1 A e B  Ensino Médio.  . 
Metodologia desenvolvida: Leitura do poema no livro didático Português Linguagens de Roberto & MAGALHÃES, Thereza Cochar. Identificar característica do gênero textual Artigo de Opinião, análise e discussão.
Produção de texto instrucional. Leitura, correção e refacção de textos produzidos; publicação de alguns no blog http://multidisciplinarcemap.blogspot.com.br/
Resultados alcançados: desenvolver o conhecimento do estudante sobre a contribuição afro na gastronomia e medicina nacionais e incentivar a prática da escrita e o discurso como prática social. 

Professora Laura Lopes de Paiva - Literatura – Ensino Médio

Assunto: O encontro do individual com o social na poesia “Grito Negro” de Jose Craveirinha – 1 A e B EM

Metodologia desenvolvida: Leitura do poema no livro didático Português Linguagens de Roberto & MAGALHÃES, Thereza Cochar. Interpretação, análise e discussão.
Resultados alcançados: Identificar a função literária na poesia, além de praticar o discurso como prática social.

Assunto: Diálogo com a poesia contemporânea: Castro Alves, Adão Ventura e Lúcio Maia, Gilberto Gil entre outros - 2 A EM
Metodologia desenvolvida: Leitura do poema dos autores Castro Alves, Adão Ventura, Lúcio Maia, Gilberto Gil entre outros, na web, biblioteca da escola  e no livro didático Português Linguagens de Roberto & MAGALHÃES, Thereza Cochar. Intertextualidade, análise e discussão.
Resultados alcançados: Aprimorar o pensamento crítico pelo contato com os textos literários e praticar o discurso como prática social.

Assunto: A trajetória do negro na literatura brasileira, Pré- –  3  A EM
Metodologia desenvolvida: Leitura de obras dos autores Lima Barreto e  Monteiro Lobato, na web, biblioteca da escola  e no livro didático Português Linguagens de Roberto & MAGALHÃES, Thereza Cochar.
Resultados alcançados: Aprimorar o pensamento crítico pelo contato com os textos literários e identificar o retrato da sociedade brasileira no início do século XX.

Assunto: A contribuição de Jorge Amado  na literatura brasileira da escravidão à cultura afro-brasileira - Modernismo 3  A EM
Metodologia desenvolvida: Leitura de obras Jorge Amado, na web, biblioteca da escola e no livro didático Português Linguagens de Roberto & MAGALHÃES, Thereza Cochar.
Resultados alcançados: Compreender a função literária nas denúncias sociais.


Desta forma, a Equipe Multidisciplinar realizou as atividades no colégio durante este ano letivo. É inegável o espaço que a História e Cultura Afro ocupam em nossa vida e em toda cultura brasileira. Presentes em todos os lugares e permeiam quase todas as atividades e ações humanas.
Assim, a escola não pode se eximir, no seu papel de formadora de cidadãos e de desenvolver um trabalho de reconhecimento da influência da história e cultura afro em relação à cultura brasileira, valorizando seu papel no contexto educacional, e também, do conhecimento historicamente acumulado e, ao mesmo tempo, levar o educando a utilizá-la de forma crítica e mais humana.
 
Fonte: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/projetonerea2012/index.php?PHPSESSID=2013120605571870

Consciência Negra



HOJE O CÉU ESTA PREPARANDO UMA GRANDE FESTA, ESTÃO TODOS CORRENDO PARA TODOS OS LADOS, PARA QUE ESTEJA TUDO NA MAIS PERFEITA ORDEM, PARA RECEBER UMA DAS ESTRELAS MAIS LUMINOSAS QUE PASSOU AQUI PELO NOSSO PLANETA TERRA, DEVOLVEMOS AO CÉU UM DOS SERES HUMANOS QUE MELHOR ENSINOU COMO DEVOLVER A OUTRA FACE QUE FOI AGREDIDA PELO SEU SEMELHANTE , COM CARINHO E DEDICAÇÃO, OBRIGADO NELSON 

MANDELA!!!!!





Imagens enviadas através da Professora Maria Anunciata Albanez

Dilma cumprimenta participantes de evento sobre igualdade racial (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)


A presidente Dilma Rousseff assinou nesta terça-feira (5), durante a abertura III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir), uma mensagem ao Congresso Nacional enviando projeto de lei que reserva 20% das vagas em concursos públicos de órgãos do governo federal para negros.
A medida vinha sendo estudada pelo governo desde o ano passado e passará agora pela análise de deputados e senadores. O assunto estava na Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), aguardando pareceres tanto da Advocacia-Geral da União, quanto do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, para a presidente Dilma bater o martelo. A ideia era ter segurança para evitar questionamentos jurídicos posteriores.

Em discurso, Dilma informou que o projeto vai tramitar em regime de urgência constitucional, o que dá à Câmara e ao Senado 45 dias, cada um, para analisar o projeto, sob risco de trancar a pauta de votações.

A presidente disse ainda que o projeto será exemplo do que pode ser seguido também pelos poderes Legislativo e Judiciário e por estados e municípios, além de entidades privadas.
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Nós queremos com essa medida iniciar a mudança na composição racial dos servidores da adminstração pública federal, tornando-a representativa da composição da população brasileira"
"Nós queremos com essa medida iniciar a mudança na composição racial dos servidores da adminstração pública federal, tornando-a representativa da composição da população brasileira. Esperamos também incentivar, como eu disse, medidas similares a essa, e esse é um importante efeito que se inicia hoje", afirmou a presidente a uma plateia formada de integrantes de movimentos sociais.

Antes de ser feito o anúncio, a representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Igualdade Racial, Maria Julia Nogueira, cobrou do governo agilidade na implementação de cotas para o funcionalismo público, destacando que seria de especial importância em prefeituras e governos estaduais. "Essa é uma importante sinalização positiva por parte do governo federal, que nós esperamos e desejamos", disse Nogueira.

Outra medida anunciada pela presidente é o envio, até 2014, de médicos para todas as comunidades quilombolas do país, contratados pelo governo federal dentro do programa Mais Médicos, que inclui profissionais formados fora do país.
Ela também assinou o ato que cria o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial, que segundo Dilma "formaliza uma das medidas mais importantes do Estatuto da Igualdade Racial". "Vai permitir o compartilhamento de responsabilidades entre governo federal, os estados e municípios", explicou.

Antes de ir para o evento, a presidente tuítou sobre a conferência. "A Conferência é sobre o q foi feito e  o muito q ainda deve ser feito p/ construir um Brasil  de oportunidades p/ todos. #IgualdadeRacial", escreveu em sua conta no microblog.
Parcerias
O evento este ano também comemora os 10 anos da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial. A pasta foi criada em 2003, no primeiro ano de governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No evento, foi lançado o selo comemorativo, personalizado, da II Conferência.  Ele é resultado de uma parceria entre a Seppir e a Empresa de Correios e Telégrafos, dentro da campanha “Igualdade Racial é pra valer”. Além disso, foi assinado um protocolo de intenções com a Sebrae, para estimular o empreendedorismo negro.

Fonte: g1.globo.com/politica/noticia/2013/11/dilma-assina-proposta-que-preve-cotas-raciais-para-o-funcionalismo.html

Sugestão: Professora Ruth Santos   CEMAP


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Nayara Justino é nova Globeleza

Nayara Justino é nova Globeleza. No domingo, 1 de dezembro de 2013, ela foi escolhida por voto...





Fonte: http://www.purepeople.com.br/noticia/conheca-a-nova-globeleza-nayara-justino-amo-a-minha-cor-me-acho-linda_a13341/7#7

Fernanda Lima e Camila Pitanga podem ser chamadas a depor sobre polêmica da FIFA

A suposta rejeição da FIFA aos nomes de Camila Pitanga e Lázaro Ramos para apresentar o sorteio de grupos da Copa do Mundo 2014 foi parar na Justiça. O Ministério Público do Estado do São Paulo instaurou uma investigação criminal para apurar se houve motivação racista na substituição dos atores negros pela dupla Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert.
10 cliques


Responsável pelo procedimento, o promotor Christiano Jorge Santos informa que, para esclarecer a situação, questionários foram encaminhados ao Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo; à empresa GEO Eventos, responsável pela parte artística do sorteio de grupos; e à Rede Globo, que teria sugerido os nomes de Camila e Lázaro.
"Preciso saber o que levou a essa substituição. A partir das respostas, vou estabelecer a ordem das pessoas que pretendo ouvir. A convocação dos quatro atores envolvidos dependerá do que for falado. Fernanda, Rodrigo, Lázaro e Camila serão chamados, se for necessário, a título de esclarecimento", informa o promotor, em conversa com Purepeople nesta terça-feira (03).
Mais seriedade
Segundo Christiano Jorge Santos, a questão deve ser tratada com seriedade. Em coletiva de imprensa realizada na segunda-feira (02) na Costa do Sauípe (BA), que receberá o evento, o diretor da Geo Eventos, Luiz Gleiser, rebateu as acusações de racismo. "Isso é bobagem, desculpe", avaliou.
Essa resposta é criticada pelo promotor. "Não consigo compreender essa posição. Existe o branqueamento da sociedade brasileira. As pessoas tendem a negar a existência de negros no nosso país. É uma situação estranha para o mundo. Quando se mostra um mundo de faz de conta, onde só existem brancos no Brasil, isso é negativo para a imagem do país no exterior", avalia.
Vale lembrar que recentemente a revista "Forbes", dos Estados Unidos, classificou o veto à escolha de Camila e Lázaro como "infeliz" e lembrou o esforço da FIFA para combater o racismo no futebol.
Casa Grande & Senzala
O sorteio de grupos da Copa do Mundo 2014 será realizado na próxima sexta-feira (06), com transmissão para 193 países, com estimativa de 500 milhões de espectadores. Alcione, Margareth Menezes, Olodum e Alexandre Pires serão algumas das atrações musicais do evento.
"Afirmaram que não são racistas por causa dessas escolhas. Para mim, isso só reafirma o tom racista nessa questão. O branco fica na casa grande e, o negro, na senzala. A apresentação ficou para o apresentador de olho azul. O batuque ficou com o negro", pontua o promotor.
Procurada por Purepeople, Camila Pitanga não quis se pronunciar sobre o assunto. "Já dei uma entrevista sobre isso e não quero mais falar sobre o tema", limitou-se a dizer. Em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", ela mostrou-se despreocupada com a polêmica. "Sinceramente, acho que a especulação é muito maior do que a situação. Até porque, não recebi convite oficial", disse.
Em um evento de moda, realizado em São Paulo, Fernanda Lima falou sobre o tema. "Venho trabalhando com a FIFA já há alguns anos. E fui chamada para esse trabalho há mais de seis meses", contou. "Fui convocada e, como tal, aceitei e vou fazer o meu trabalho. O que eu tenho a ver com isso? Só porque eu sou branquinha?", questionou.
(Por Anderson Dezan)

Fonte: http://www.purepeople.com.br/noticia/fernanda-lima-e-camila-pitanga-podem-ser-chamadas-a-depor-sobre-polemica-da-fifa_a13406/1

A cara do brasileiro

De onde vem nosso jeitinho, nosso modo de falar, nossa malandragem? Depois de mais uma temporada de escândalos políticos, a discussão em torno da origem do caráter nacional está de volta

por Texto Rodrigo Cavalcante*

Afinal, quem somos nós, os brasileiros? À primeira vista, a resposta para essa pergunta é fácil: somos o produto da miscigenação entre os colonizadores portugueses, os índios que aqui viviam e os africanos trazidos como mão-de-obra escrava, além dos imigrantes que chegaram entre os séculos 19 e 20 – como alemães, italianos, japoneses. Até aí, tudo bem. Somos, enfim, um povo mestiço genética e culturamente que, apesar da diversidade, compartilha certos traços em comum.
A questão, porém, fica um pouco mais complicada quando se trata de buscar a essência do que se convencionou chamar de caráter nacional, aqueles traços que explicam uma série de comportamentos que costumamos encarar com naturalidade mas que, quase sempre, causam surpresa entre os estrangeiros.
“Não é só um estereótipo. As pessoas aqui se relacionam com mais afetividade. Os brasileiros conversam na rua, enquanto na Europa o silêncio predomina nas estações de ônibus e metrô”, diz o jornalista espanhol Juan Arias, que há 7 anos vive no Rio como correspondente do jornal El País. “Mas fiquei chocado com a burocracia kafkiana para tirar o visto de permanência após casar com uma brasileira. Foram mais de 600 dias de espera, 6 quilos de documentos e a insinuação de que tudo poderia sair rapidamente se pagasse 8 mil reais.”
Brooke Unger, correspondente da revista inglesa The Economist em São Paulo, é mais um que se diz a um só tempo encantado e estarrecido com certos traços do povo brasileiro. “Quando cheguei ao Brasil pela primeira vez, vi garis em um desfile pelas praias do Rio, numa cena impensável para um americano.” Em compensação, ele diz não entender a espécie de amnésia coletiva diante de casos graves de violência e impunidade. “A maioria dos brasileiros sabe mais sobre o atentado terrorista do dia 7 de julho, em Londres, do que sobre a chacina na Baixada Fluminense que matou 29 pessoas no dia 31 de março.”
Criativo ou enrolão, extrovertido ou indiscreto, cordial ou malandro, maleável ou corruptível?
Após mais uma enxurrada de denúncias de corrupção – com direito a atuações picarescas como as do deputado Roberto Jefferson – a discussão sobre a essência do nosso caráter volta à berlinda. De onde vem nosso jeitinho, nossa informalidade (aqui, até o presidente da República é tratado pelo apelido), nossa naturalidade diante da miséria, nossos preconceitos, nossa capacidade de depositar fé em mais de uma religião?
No século 20, livros como Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda e Formação do Brasil Contemporâneo, de Caio Prado Júnior, tentaram responder a algumas dessas perguntas. Mas as interpretações clássicas sobre o que é o brasileiro seguem válidas hoje?
“A base dessas interpretações ainda é essencial, mas é preciso lembrar que o chamado caráter de um povo é algo que muda a cada instante”, diz a antropóloga Lilia Schwarcz, da USP.
Se o Brasil (e, por extensão, o brasileiro) “não é para principiantes”, como disse Tom Jobim, a Super, com ajuda de alguns dos principais especialistas em nossas origens, preparou um pequeno guia para entendermos mais por que somos assim – da genética ao jeitinho.

Por que temos essa cara
Que o brasileiro é miscigenado, é algo que se vê. Mas quanto? Em que proporção? Ainda no império, a mistura de etnias costumava horrorizar os europeus que desembarcavam aqui. Na época, influenciados pelas teorias raciais, eles viam na miscigenação uma ameaça de degeneração de todas as raças que viviam no país. Hoje, os biólogos já descartaram o próprio conceito de raça. Os pesquisadores sabem que há tantas variações genéticas em um grupo com traços físicos em comum que a noção de raça perdeu seu sentido – o rastreamento da herança genética é feito por meio de análise do DNA.
No Brasil, o principal mapeamento de nossos mais de 500 anos de miscigenação é comandado pelo geneticista Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais. Após pesquisar mais de 300 amostras genéticas de brasileiros de diversas regiões do país, isolando os traços praticamente inalteráveis transmitidos de pai e mãe para filho e filha durante séculos, os pesquisadores mineiros tiveram algumas surpresas.
A primeira foi a diferença entre a carga genética dos antepassados paternos e maternos. Enquanto a maioria das linhagens paternas dos brasileiros brancos é de origem européia (cerca de 90%), grande parte das linhagens maternas é de origem ameríndia e africana (cerca de 60%). Ou seja: a maioria tem traços europeus herdados dos antepassados masculinos e traços índigenas e africanos herdados da mãe. A ciência comprova que o colonizador europeu não se fez de rogado em ter uma prole numerosa com escravas e nativas.
A segunda surpresa está relacionada à falta de relação entre a cor da pele e a origem genética dos brasileiros. “A cor, no país, diz pouco sobre a origem de uma pessoa”, diz Sérgio Pena. “Cerca de dois terços das amostras genéticas de pessoas de cor branca não eram de origem européia.” Esses dados revelam que, no Brasil, a classificação de pessoas pelo aspecto físico é inútil, já que, geneticamente, muitos brancos podem ser considerados negros... e muitos negros podem ser considerados brancos.
Por que falamos assim
Ninguém contesta: no Brasil, a língua portuguesa reina absoluta. Mas o que faz com que os brasileiros se comuniquem de forma tão diferente da de pessoas de outros países, inclusive de Portugal? Por que, quase sempre, preferimos tirar alguma dúvida pessoalmente do que lendo o manual de instruções?
Segundo a pesquisadora Eni Orlandi, do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, a preferência pela língua falada no Brasil não estaria apenas ligada a um traço psicológico ou às altas taxas de analfabetismo do país. “Minha tese é de que essa preferência vem do fato de que convivemos durante séculos com 2 línguas: a portuguesa, usada nos documentos, e a chamada língua geral (o tupi adaptado pelos jesuítas para converter os índios), falada no dia-a-dia, dentro das casas”, diz Eni.
Como a língua geral não era escrita, ela acredita que estaria aí a origem de nossa tendência para resolver qualquer coisa na conversa. “Diferentemente do que muita gente leu nos livros escolares, a influência do tupi em nossa língua não ficou restrita a alguns vocábulos como abacaxi, jibóia, açaí”, diz. “A língua geral teve um papel decisivo, ainda que não tenhamos consciência disso, em nossa forma de falar.”
Não fosse por um decreto do marquês de Pombal, em 1757, impondo a língua portuguesa e proibindo a disseminação do tupi (e por tabela, o poder de ação dos padres jesuítas), essa influência poderia ter sido ainda maior. “A medida foi decisiva para criar uma unidade lingüística com base no português”, diz Bethania Mariani, pesquisadora da Universidade Federal Fluminense. “Ela pôs fim à diversidade de línguas no país, permitindo um controle maior de Portugal sobre a colônia”, afirma a pesquisadora.
Caso a decisão de Pombal não fosse bem-sucedida, é possível até que o Brasil hoje tivesse 2 línguas oficiais: o português e o tupi. “Mas não sei, sinceramente, se isso seria bom”, diz Eni Orlandi. “Afinal, isso poderia criar mais uma divisão social no país. De um lado, o tupi provavelmente seria a língua das camadas mais pobres da população, enquanto o português seria usado pela elite, que não raro abusa do bacharelismo como instrumento de exclusão social.”
Bacharelismo é o tom pouco objetivo e pomposo ainda presente no discurso de boa parte dos políticos brasileiros. Ele teria origem, segundo os historiadores, na preferência da elite do século 19 pelo diploma de bacharel em direito, o principal passaporte para ocupar cargos públicos no país desde o Império.
Para o gramático Ulisses Infante, ainda permanece no Brasil a falsa idéia de que o “falar e escrever difícil” são sinônimos do uso adequado da língua. “Só recentemente alguns membros do judiciário parecem ter se dado conta de que não faz nenhum sentido escrever sentenças em um estilo indecifrável.”
Por que somos malandros
Aconteceu em 1943, após uma visita de Walt Disney ao Brasil, como parte da política de “boa vizinhança” dos EUA que visava reforçar os laços com os sul- americanos durante a 2a Guerra Mundial. Naquele ano, Pato Donald apresentaria um novo companheiro no filme Alô, Amigos: seu nome era Joe Carioca, para os americanos, ou Zé Carioca, para os brasileiros, um simpático e falante papagaio. Dali em diante, a imagem do brasileiro se firmava como a de uma espécie de bon vivant tropical, cheio de ginga, que não se adaptava a empregos formais e vivia de “bicos”.
Mas, muitos anos antes de ganhar o mundo, a figura típica do “bom malandro” já estava presente no imaginário do Brasil. A antropóloga Lilia Schwarcz, pesquisadora do tema, diz que o advento do malandro está vinculado à questão racial no país. O malandro seria a figura do mulato brasileiro que dribla o preconceito e consegue uma certa ascensão social por meio de favores conquistados com ginga e simpatia.
Antes de Zé Carioca, as desventuras do personagem Macunaíma, de Mário de Andrade, lançado em 1928, já haviam revelado a essência malandra e mestiça do caráter nacional. Para o crítico Antônio Cândido, o primeiro malandro da nossa literatura teria nascido muito tempo antes, ainda no século 19, com o personagem Leonardo Pataca, do livro Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida.
Mas se a figura do malandro surge como uma estratégia criativa de sobrevivência para ex-escravos, descendentes de escravos, enfim, todos aqueles que não se transformaram em cidadãos logo após a abolição, como entender a malandragem presente também na elite nacional? O que faz com que o deputado Severino Cavalcanti, presidente da Câmara dos Deputados, em pleno século 21, faça a defesa do nepotismo – conseguindo empossar seu filho para um posto importante do governo, apesar de toda a indignação da opinião pública?
Em 1936, o historiador Sérgio Buarque de Holanda dedicou um dos capítulos do seu livro Raízes do Brasil ao estudo do chamado “homem cordial”, termo usado então para tentar explicar o caráter do brasileiro. Um dos traços do brasileiro cordial era, segundo o historiador, a propensão para sobrepor as relações familiares e pessoais às relações profissionais ou públicas. O brasileiro, de certa forma, tenderia a rejeitar a impessoalidade de sistemas administrativos em que o todo é mais importante do que o indivíduo. Daí a dificuldade de encontrar homens públicos que respeitem a separação entre o público e o privado e que ponham os interesses do Estado acima das amizades.
Para diversos pesquisadores, isso se explicaria pelo fato de que, durante boa parte da colonização do país, o Estado se confundia com a figura do senhor de engenho, do fazendeiro de café e, anteriormente, com os próprios donatários das capitanias hereditárias. Ou seja: a decisão sobre a vida e a morte de um escravo, por exemplo, era uma decisão de cunho tão privado como a escolha do mobiliário da fazenda pelo senhor e sua família, cuja autoridade estava acima de qualquer outra lei.
Talvez por isso, quando a amizade e o jeitinho não funcionam, é normal ouvir-se um ríspido e autoritário “Você sabe com quem está falando?”, como diz o antropólogo Roberto DaMatta.
Em seu livro Carnavais, Malandros e Heróis, o antropólogo descreve o dilema herdado pelo brasileiro. De um lado, nos submetemos a um sistema de leis impessoais cuja obediência nos países ricos nos causa inveja e admiração. Internamente, contudo, encaramos essas leis como uma espécie de estraga-prazeres – e os burocratas, sabendo disso, parecem muitas vezes aplicá-las para dificultar a vida do cidadão. De outro lado, existiria o sistema da nossa “rede de contatos”, em que impera o parentesco, a amizade ou qualquer ligação pessoal que drible a lei. Trocando em miúdos: a lei é vista – e muitas vezes aplicada – como um castigo e para fugir desse castigo vale a malandragem, o jeitinho.
Por que toleramos a desigualdade
Não teve jeito. Por mais que o correspondente do jornal espanhol El País tentasse, a diarista de sua casa não aceitou a idéia de almoçar à mesa com ele e sua esposa. “Para ela, isso é impensável”, diz Juan Arias. “Só depois percebi a relação ambivalente que o brasileiro tem com as pessoas que trabalham em sua casa.”
De um lado, a intimidade quase familiar com a empregada doméstica. De outro, direitos trabalhistas muitas vezes desrespeitados e a restrição à área de serviço. “Mesmo em edifícios modernos, a chamada área de serviço permanece como uma herança da senzala”, diz o arquiteto Nestor Goulart Reis Filho, autor de Quadro da Arquitetura no Brasil. “A escravidão deixou marcas não só na arquitetura e no urbanismo, como em toda a vida do brasileiro.”
Uma das mais perniciosas heranças escravagistas teria sido a naturalidade com que se convive com a miséria no Brasil. “É como se a escravidão tivesse feito com que o país se acostumasse com a existência de cidadãos de primeira e de segunda classe”, diz a antropóloga Lilia Schwarcz. “Essa convivência com a desigualdade durante séculos faz com que as pessoas não se comovam mais com a miséria.”
Estima-se que mais de 4 milhões de escravos tenham vindo da África para o Brasil entre os séculos 16 e 19. No Rio imperial, viajantes estrangeiros já observavam como a escravidão marcava a vida dos brasileiros.
O inglês Thomas Ewbank escreveu suas observações sobre o Brasil quando esteve no país, em 1846. Em um dos trechos do seu livro Vida no Brasil, ele conta, por exemplo, como a escravidão no país tornava todo tipo de trabalho manual desonroso:
“Ao interrogar um jovem nacional de família respeitável e em má situação financeira sobre por que não aprende uma profissão e não ganha a sua vida de maneira independente, há 10 probabilidades contra 1 de ele perguntar, tremendo de indignação, se o interlocutor está querendo insultá-lo! ‘Trabalhar! Trabalhar!’ – gritou um deles. ‘Para isso temos os negros’.” Em compensação, o viajante inglês escreve que trabalhar para o Estado, mesmo com um salário irrisório, era motivo de orgulho. “Ser empregado pelo governo (...) é honroso, mas descer abaixo de empregos do governo, mesmo para ser negociante, é degradante”, diz o viajante, sem saber que o desdém pelas profissões técnicas e o sonho do emprego público ainda valeriam em muitas regiões do país em pleno século 21.
Por que misturamos tudo
No início do século 20, o futuro parecia literalmente negro para os intelectuais brasileiros que sonhavam em reproduzir por aqui a civilização européia. E não era para menos. Se as teorias da época pregavam que a mistura de raças degradava o povo brasileiro, estava claro que a miscigenação era irreversível.
Os esforços de urbanização e saneamento falhavam em fazer das nossas cidades uma reprodução das capitais civilizadas do mundo. No Rio, por exemplo, os destroços dos velhos cortiços derrubados para a construção de grandes avenidas no estilo parisiense serviam de material para os sem-teto construírem moradias improvisadas nos morros, dando origem às primeiras favelas cariocas.
Qual a imagem que sobressairia do país? A urbanizada, branca, européia, ou a negra, favelada, africana?
“Foi a imagem do mulato que prevaleceu”, diz a antropóloga Lilia Schwarcz. De acordo com ela, isso ocorreu por vários motivos. O primeiro deles teria sido a aceitação, pelos pensadores do país, de que a presença africana em nossa formação era algo positivo. O marco dessa mudança de olhar teria aparecido com a publicação de Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, em 1933. Muito antes do advento da genética moderna, Freyre já escrevia que: “Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma e no corpo a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena ou do negro.”
Na cultura, o movimento iniciado com a Semana de Arte Moderna de 1922 também já havia absorvido essa identidade mestiça na obra de artistas plásticos como Tarsila do Amaral e escritores como Mário de Andrade, o pai de Macunaíma. Só faltava mesmo o governo assumir que éramos, enfim, um país mestiço.
“Isso ocorreu com o advento do Estado Novo de Vargas, em 1937”, diz Lilia Schwarcz. “É quando a capoeira vira esporte nacional, o samba passa a ser a música brasileira por excelência e a feijoada, com o preto do feijão e o branco do arroz, o verde da couve e o amarelo da laranja, se torna o prato oficial do brasileiro.” Anos depois, a música Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, consagraria nossa identidade mestiça cantando as virtudes do nosso “mulato inzoneiro” para o mundo. A diversidade de raças, cultura e até mesmo de religião – em que outro país alguém pode ser um pouco católico, um pouco espírita e ter medo de encruzilhadas? – deixava de ser motivo de vergonha para se tornar motivo de orgulho, assim como os jogadores da seleção brasileira.
A nova cara do Brasil
Mas qual será a cara do brasileiro no século 21? “Acredito que algo está mudando”, diz a antropóloga Lilia Schwarcz. “A população parece menos propensa a aceitar o jeitinho quando ele significa a promiscuidade entre o privado e o público”, afirma. “Mas é claro que isso varia de região para região no país, e ainda é cedo para dizer se essa mudança é para valer ou é de superfície.”
Segundo Lilia, um dos erros do brasileiro é acreditar que precisamos nos tornar sisudos e impessoais para fazer com que o país se desenvolva e todos tenham acesso à cidadania. “Acho que esse é um falso dilema”, diz a antropóloga.
“Se nossa malandragem se restringir ao nosso lado bem-humorado, autocrítico e tolerante, e ficar fora da política, então não há com que se preocupar”, afirma ela. “Os holandeses, por exemplo, conseguem ser flexíveis e rir de si mesmos sem que isso signifique desrespeito às leis.” O jornalista espanhol Juan Arias concorda. “Por muito tempo, os espanhóis também acreditavam que não conseguiriam ser desenvolvidos como as nações vizinhas sem perder a sua identidade ibérica e católica”, diz. “Mas tanto a Espanha quanto a Irlanda e outros países viriam a descobrir que o problema não era de identidade, mas de falta de acesso da população a educação de qualidade, emprego – enfim, de cidadania.”

Como o brasileiro vê a si próprio?

Como o povo sofre! Essa é a conclusão de uma pesquisa feita em 1997 pelo Centro de Pesquisa e Documentação Histórica da Fundação Getúlio Vargas em parceria com o Instituto de Estudos da Religião. Veja as respostas dos entrevistados:
• Sofredor - 74,1%
• Trabalhador - 69,4%
• Alegre - 63,3%
• Conformado - 61,4%
• Batalhador - 48,0%
• Solidário - 46,1%
• Revoltado - 42,3%
• Pacífico - 40,4%
• Honesto - 36,2%
• Malandro - 30,8%
• Violento - 28,5%
• Preguiçoso - 24,0%
• Egoísta - 21,6%
• Desonesto - 17,2%

Auto-estima é maior no Norte e Centro-Oeste

Mazelas como a corrupção endêmica e a desigualdade social não afetam a auto-estima dos brasileiros: 85% deles dizem sentir orgulho de sua nacionalidade, segundo uma pesquisa feita em 2003 pelo instituto Datafolha. De acordo com o mesmo levantamento, 61% acham o Brasil um país ótimo ou bom para viver e 72%o consideram “muito importante” no cenário mundial. O amor-próprio é mais acentuado nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde 91% dos entrevistados responderam ter mais orgulho que vergonha de ser brasileiro. Essa proporção cai para 83% na Região Sudeste e atinge seu menor valor entre os habitantes da cidade de São Paulo, onde o sentimento positivo é compartilhado por 79% da população.

Para saber mais

História da Vida Privada no Brasil, volumes I, II, III e IV - Vários autores, Companhia das Letras, 1997
Carnavais, Malandros e Heróis - Roberto DaMatta, Rocco, 1997
O que é o Brasil? - Roberto DaMatta, Rocco, 2004
Casa Grande & Senzala - Gilberto Freyre, Record, 1992
Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Holanda, Companhia das Letras, 1997
Quadro da Arquitetura no Brasil - Nestor Goulart Reis Filho, Perspectiva, 1997
Fonte: http://super.abril.com.br/cultura/cara-brasileiro-445905.shtml

A CONSTITUIÇÃO E O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA



A CONSTITUIÇÃO E O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Este texto tem como objetivo relatar o conteúdo do artigo “A constituição e o dia da consciência negra”, veiculado pelo jornal Carta Maior do dia 20/11/2013, assinado por César Augusto Baldi. Junto ao relato, apresentaremos algumas reflexões balizadas em estudos relativos ao tema. A referida reportagem faz um breve apanhado dos avanços e conquistas dos movimentos sociais, em relação aos negros e traz implícita a crítica, quando diz:

Tem se tornado comum divulgar, em redes sociais, afirmação, que teria sido dada por Morgan Freeman, de que não é necessário um dia da consciência branca, negra, amarela, parda, etc., mas sim um dia da consciência humana. Seguindo um pouco por essa linha, outros sugerem que a escolha de legisladores de fixar essa data comemorativa teria algo de inconstitucional, pois implicaria estabelecer desigualdade de tratamento entre cidadãos, privilegiando uns em detrimento de outros.
(BALDI, 2013, grifo nosso).

            Nesse sentido, tomando o contexto escolar do qual fazemos parte como educadores, gostaríamos de chamar atenção, para a forma como a história da educação abordou a cultura negra e nos ensinou via conteúdos disciplinares. Para subsidiar essa reflexão contaremos com os estudos realizados pelo Professor Marcus Vinicius Fonseca da Universidade Federal de Ouro Preto, autor do texto “A arte de construir o invisível o negro na historiografia da educação brasileira”.
            Segundo Fonseca (2007) as narrativas são negligentes e desconsideraram os negros como sujeitos históricos, promovendo a preposição de falsas inferências ao negro e sua cultura. A condição de escravo é perene no século XIX e do sentido da vida em sociedade, a cor diz da condição social dos indivíduos, a rigor   todo negro era considerado ou classificado como escravo.
            Subjacente a este contexto os negros sempre foram reduzidos à escravidão e pelas leis a objetos sem direitos, independente de serem livres ou não, viviam a margem do mundo social, portanto, sem herança cultural. A teoria de que escravo era “coisa” foi a principal causa da invisibilidade dos negros, ser negro e ser escravo tinham o mesmo significado, resumidos a ordem jurídica vigente que dava aos senhores o direito a posse desses indivíduos, tornando-os legalmente objetos.
            Decorrente dessa forma de análise deriva uma imensa gama de preconceitos e estigmas que foram cultivados e propalados inclusive pela educação escolar, na sociedade de forma indiscriminada.
            As lutas travadas contra o preconceito em relação ao negro e sua cultura tiveram avanços e conquistas, dentre elas como destaca a reportagem estão: a Lei nº 10.639/2003 que determina a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira e africana, a criação de cotas em universidades e concursos públicos, recentemente o Itamaraty destinou 20% das vagas para concurso público para diplomata.
            Tal cenário demonstra que o preconceito ainda não foi vencido, mas que seus adeptos lutam e não esmorecem      , sobre a necessidade da existência de um dia para refletir sobre a consciência negra?
            Coadunado com a posição de Baldi (2013) que afirma:

De fato, o dia da consciência negra continua cada vez mais necessário para questionar os distintos privilégios da “branquitude” e para recordar que o racismo, da mesma forma que o colonialismo e o sexismo, está longe de estar erradicado em nossas sociedades pós-coloniais, mesmo quando elas estabelecem como um de seus objetivos fundamentais: “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” 

            Em síntese, conhecer as especificidades da história e da cultura negra, bem como da sociedade na qual está inserida, torna-se a via mais eficaz para caminharmos em direção a um dia da consciência humana. Lembramo-nos de que tal consciência é produzida socialmente, e está diretamente atrelada a forma como a nossa sociedade está organizada, sob os desígnios do caprichoso capitalismo, agora em sua fase de globalização e financeirização.

Referências:
BALDI, Cézar, Augusto. A Constituição e o dia da consciência negra. Jornal Carta Maior, 2013. Disponível em: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Principios-Fundamentais/A-Constituicao-e-o-dia-da-consciencia-negra/40/29587
FONSECA, Marcos,Vinicius. A arte de construir o invisível: o negro na historiografia nacional brasileira. Revista Brasileira de História da Educação, n.13, p. 11-50, 2007. Disponível em: http://www.rbhe.sbhe.org.br/index.php/rbhe/article/view/138