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segunda-feira, 23 de junho de 2014

MULTIDISCIPLINAR GEOGRAFIA, HISTÓRIA e PORTUGUÊS



Imperialismo na Africa

Durante séculos, a África representou para os europeus apenas uma fonte inesgotável de escravos e, em menor escala, ouro e marfim. No século XVIII, em toda a África Subsariana, os únicos verdadeiros estabelecimentos coloniais eram o de Portugal, em Moçambique, e o dos camponeses na Colônia do Cabo.

Tudo mudou na segunda metade do século XIX. As potências européias, em plena Revolução Industrial, passavam a enxergar a África como potencial mercado consumidor e fonte de matérias-primas minerais e vegetais. No plano político, a expansão imperial aparecia como sinal de influência, poder e prestígio.
O pensamento Imperialista, nutrido pelas teorias racistas, assegurava que o "homem branco" não podia fugir à missão de civilizar as "raças inferiores".

Jules Harmand, um dos entusiastas franceses do imperialismo, dizia em 1910:
" É necessário, pois, aceitar como princípio e ponto de partida o fato de que existe uma hierarquia de raças e civilizações, e que nós pertencemos à raça e civilização superior [...]. A legitimação básica da conquista de povos nativos é a convicção de nossa superioridade, não simplesmente nossa superioridade mecânica, econômica e militar, mas nossa superioridade moral". (citado em Cultura e imperialismo, p. 48).
As linhas gerais da divisão colonial da África entre as potências européias foram definidas na Conferência de Berlim (1884-1885). A conferência internacional, convocada por Bismarck, concentrou suas discussões no problemas da navegação e do comércio nos rios Congo e Níger e nas formas de apropriação colonial de territórios africanos. Participaram da reunião representantes de 15 países europeus, além dos Estados Unidos.

A Conferência de Berlin não dividiu o continente em colônias, mas fixou princípios para evitar conflítos entre as potências européias que se lançavam à partilha da África. Na década seguinte, as potências apressaram-se em estabelecer bases coloniais e traçar fronteiras, a fim de garantir a soberania sobre os territórios que começavam a ocupar.





A Grã-Bretanha e a França tornaram-se as potências coloniais dominantes. Os britânicos estabeleceram a sua soberania por uma faixa praticamente contínua, desde o Egito até a União Sul-africana, ao longo da África oriental. Os franceses concentraram as suas colônias no Magreb e na África ocidental e equatorial. Alemanha, Portugal, Espanha e Itália ocuparam territórios marginais. No centro do continente, destacava-se ao Congo, que no início do século XX deixou de ser colônia privada, passando à soberania da Bélgica.

As potências européias produziram, na prática, a cartografia política da África, traçando fronteiras sobre espaços étnicos e culturais dos quais pouco conheciam. Em alguns casos, as linhas de fronteiras se apoiaram em acidentes naturais, como os cursos dos rios e lagos ou os divisores de águas. Em outros, utilizam-se linhas geométricas, traçadas como projeções da desembocadura litorânea dos rios ou com base em meridianos e paralelos.

Durante o periodo colonial, as metrópoles produziram divisões administrativas no interior dos seu territórios. Tais divisões tinham, quase sempre, funções práticas ligadas à distribuição das forçar militares coloniais ou ao controle das cidades e dos encláves de mineração.

Desse modo, os europeus inventaram territórios que não tinham raizes nas experiências históricas africanas. Os estados africanos independêntes, que surgiram no pós-guerra, herdaram as linhas de limites traçadas pelas potências européias.



Contribuição Professora de Geografia no CEMAP  



sábado, 30 de novembro de 2013

Lei “humanitária” determinava as condições dos navios negreiros




Escrito por Bruno Hoffmann 

Em vez de brasa, negros deveriam ser marcados por uma coleira.

Um dos símbolos mais perversos da escravidão, os navios negreiros eram um transporte de alto risco para a vida dos escravos – o que não interessava a ninguém. Cada negro morto significava prejuízo. Um alvará com força de lei publicado em 24 de novembro de 1813 regulou sobre as condições de transporte da África para o Brasil, motivado por um “incomparável sentimento de humanidade”.

O alvará proibia a superlotação e determinava que deveria haver boa ventilação nos porões escuros. A marcação dos negros com ferro quente passava a ser proibida, “devendo substituir-se por uma manilha ou coleira”.

Outra mudança era em relação ao cardápio. Antes, os escravos comiam basicamente feijão. Uma vez por semana arroz começaria a fazer parte da refeição. Sem esquecer do milho que, segundo o texto, era um alimento que os negros preferiam a qualquer outro.

Mas o propósito humanitário é desfeito logo adiante: “Da frequente renovação de ar depende a manutenção da saúde dos navegantes. Ainda mesmo o interesse pessoal dos proprietários dos navios, pois não recebem frete pelo transporte de negros que morrem na travessia.”


Fonte: http://www.almanaquebrasil.com.br/curiosidades-historia/7519-lei-humanitaria-determinava-as-condicoes-dos-navios-negreiros.html